
Crédito: João Paulo Biage
O evento de filiação do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao União Brasil também serviu como um direcionamento sobre o futuro do partido no Ceará, em meio a uma disputa entre a base governista e a oposição. Pelas falas de dirigentes nacionais, há sinalização de que a sigla deverá estar no bloco contrário ao do PT em 2026.
Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, afirmou em discurso durante o evento que a filiação de Roberto é começo da mudança no Ceará. Ele destacou a aliança formada entre outras siglas como o PL, presidido pelo deputado federal André Fernandes, e o PSDB do ex-ministro Ciro Gomes e do ex-senador e ex-governador Tasso Jereissati.
“Esse filiação do Roberto é o começo da mudança no Ceará. Eu ouso dizer que pela primeira vez eu vejo um conjunto de forças política no Ceará construindo um novo caminho. Vejo o PL, vejo o PSDB, vejo pessoas que antes não se falavam e que hoje dialogam em um vértice comum: derrotar tudo aquilo que é uma mazela governamental que representa o atraso da política. Tenham a convicção que encontram aqui nessa federação um ambiente próspero para um Ceará diferente”, afirmou.
Em dezembro, durante visita a Fortaleza, Rueda foi cobiçado por membros do governo, como o secretário chefe da Casa Civil de Elmano, Chagas Vieira; e aliados da base, como o deputado federal Moses Rodrigues (União). Eles chegaram a posar para uma foto juntos, agitando os bastidores da política local. Um dia depois, membros da oposição também procuraram o dirigente.
“Você (Roberto Cláudio) é muito bem recebido e se Deus quiser em 2026, e o Nordeste vai se destacar nisso, nós vamos derrotar o PT, derrotar o PT no Ceará, na Bahia e no Brasil”, disse.
Anunciada, mas ainda não concretizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação entre União Brasil e PP tem provocados disputas locais pelo País. No Ceará, dentre os cinco deputados federais dos partidos, três são governistas: Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, do União; e AJ Albuquerque, dirigente do PP no Ceará. Já Danilo Forte (União) e Dayany Bittencourt (União) são oposição.
Nos bastidores, projeta-se que a aproximação pode significar uma vaga na chapa majoritária, com Moses sendo candidato a senador, o que atrairia o bloco para a base.
Capitão Wagner, presidente estadual do União Brasil, alertou que tanto Moses como Fernanda podem sofrer punições, inclusive a expulsão, caso apoiem o PT. Segundo ele, há um direcionamento nacional a ser seguido, que caso seja descumprido acarretará consequências.
No dia de assinar a ficha de filiação, RC disse ter a confirmação de lideranças, tanto do União Brasil quanto do PP, de que o bloco estará do lado oposto do PT.