7 de março de 2026
Megaoperação ou massacre? Cláudio Castro tenta transformar tragédia em palanque

Foto: Silvia Izquierdo | Corpos de vítimas foram levados para uma praça no Complexo da Penha, no Rio

Não precisa ser um especialista, mas ter bom senso para ter a certeza de que a operação batizada como megaoperação e realizada no Rio de Janeiro nesta semana sob o comando do governador Cláudio Castro foi um desastre. E começa a tomar contornos de chacina.

Cláudio Castro fez a operação baseada apenas em sua equipe, não quis colaboração, não pediu apoio ao Governo Federal, e quando viu que a opinião pública não está assim completamente a seu favor tratou de culpar o presidente Lula e a falta de apoio.

Esse é o momento para a sociedade brasileira debater esse assunto, questionar, cobrar respostas, cobrar punições aos culpados, exigir combate efetivo ao crime organizado e cobrar da classe política e dirigente.

A verdade é que muitas perguntas estão sendo feitas até o momento , ao passo que o Governo do Rio de Janeiro tem pouca transparência em suas ações.

A primeira é que explodiu nesta quinta-feira, 30, que a Defensoria Pública foi impedida de acompanhar perícia em corpos de mortos na chacina do Rio de Janeiro. A presença de defensores públicos durante as necropsias é considerada fundamental para garantir transparência.

O ex-secretário nacional de segurança pública Ricardo Balestreri, durante entrevista disse: “O crime está cada vez mais  armado, mais rico, mais infiltrado nas instituições. E todos esses mais de cem bandidos abatidos, supondo que sejam  todos bandidos, amanhã estarão repostos no crime por outros jovens de 14, 15 e 16 anos. O que explica esse número de mortos é uma busca frenética e não razoável por causar impacto na opinião pública. Não estou amaciando para bandido, defendo inclusive que as penas para faccionados sejam agravadas, mas o fato é que o combate ao crime só na favela é enganar a população”, confirmou.

Em um artigo na Folha de São Paulo Thiago Amparo escreveu: “Não há na lei a categoria de bandido executável. Qualificar mortos como suspeitos serve tão somente para a culpa pequeno-burguesa  de parte de população e da imprensa”.

Essa ação é considerada a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro. Nas redes sociais e entre moradores, há protestos e críticas: muitos classificam a operação como “chacina” e responsabilizam o governo por permissividade ou por uso excessivo da força. O governo estadual, por sua vez, afirma que enfrentava um “estado paralelo” e que era necessário agir com contundência.

Segundo levantamento feito pela AP Exata mostra que  63,4% dos internautas apontam governador Cláudio Castro como o principal responsável pela crise, enquanto 29,7% atribuem a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 6,9% mencionam diferentes atores, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

A população, pelo menos uma parte dela, entende o que se passa no Rio de Janeiro.

PÉSSIMA REPERCUSSÃO

OTONI DE PAULA

Deputado, pastor evangélico e direita, Otoni de Paula diz que governador Cláudio Castro promoveu execução: “Só de filho de gente da igreja, eu sei que morreram quatro. Meninos que nunca portaram fuzis, contados no pacote como se fossem bandidos”.

GLAUBER BRAGA

O deputado federal Glauber Braga (PSOL/RJ) durante coletiva foi categorico: “O maior criminoso do estado do Rio de Janeiro está solto e dando entrevistas.”

FOLHA DE SÃO PAULO

A operação que o governador Cláudio Castro define como “sucesso” teve, além de + de 100 mortos, pessoas com cabeças cortadas, crianças buscando cadáveres na mata, policiais mortos e o maior líder do comando vermelho solto. A ação vazou antes de começar.

MARCELO FREIXO

Marcelo Freixo nas redes sociais: “O Rio de Janeiro não merece um governador que trata policial como bucha, que faz caixão de palanque e não respeita nenhum morador de favela. Essa operação foi planejada por Cláudio Castro, mas o objetivo nunca foi combater o crime. O que ele buscou é mobilizar o sentimento de medo da população para fazer palanque eleitoral, reunir governadores da direita e ganhar visibilidade em cima de uma política que só gera morte”.

NADA MUDOU

Ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel criticou a operação do governo Cláudio Castro: “Com 4 PMs mortos, cidade imobilizada por horas e o Alemão ainda dominado pelo Comando Vermelho, não posso classificar como sucesso. Nada muda na vida do carioca.”

UMA PERGUNTA

Professor João Cezar de Castro Rocha na rede social X: “Conhecem a estação de metrô do Maracanã, muito usada por estudantes da UERJ?  Na terça-feira, o caos se instalou, enquanto tentavam chegar com segurança em casa. Por que não uma megaoperação, nas instituições financeiras que permitem a circulação de bilhões do crime organizado?

AUDIÊNCIA PÚBLICA

O ministro Alexandre de Moraes vai até o Rio de Janeiro, pessoalmente, a fim de conduzir as audiências do governador fluminense, Cláudio Castro, de policiais, procuradores e outros, sobre a megaoperação policial mais letal da história do Brasil. Castro deve explicar ponto a ponto a operação, conforme pedido pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos. (Metropoles).