7 de março de 2026
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Foto: Alerj (ABR) | “Claudio Castro é um genocida”, diz Marcelo Dias

O advogado Marcelo Dias denunciou que o governo do Rio de Janeiro, sob o comando de Cláudio Castro (PL), conduz uma política de segurança pública baseada no extermínio da população favelada. Em entrevista ao programa Giro das Onze, na TV 247, ele afirmou que a operação policial na Vila Cruzeiro resultou em cerca de 130 mortes, número muito superior ao divulgado oficialmente (em torno de 60).

Dias afirmou que a ação demonstra o caráter genocida do governo estadual, que promove uma política de “terror permanente” contra as favelas. Segundo ele, a ausência de atendimento médico e de equipes do SAMU durante a operação reforça o desprezo do Estado pela vida dos moradores.

Ele também criticou a resistência do governador em aceitar a colaboração da União e relacionou isso à recusa de Castro e outros governadores da extrema direita à PEC da Segurança, proposta que integraria as polícias estaduais à Polícia Federal. Para Dias, essa resistência revela o medo de que a PF investigue as ligações entre forças de segurança, facções e milícias.

O advogado defende que o governo federal, liderado por Lula, precisa agir imediatamente para conter essa “política da morte” antes que ela se espalhe para outros estados. Ressaltou que cerca de um quarto dos cariocas vive em favelas sem acesso a políticas públicas, convivendo apenas com o aparato repressivo do Estado.

Marcelo Dias apontou que a chamada “guerra às drogas” é uma farsa que serve apenas para justificar a violência e o racismo institucional. Segundo ele, cada chacina fortalece as próprias facções, pois aprofunda o medo e o ódio nas comunidades.

Ao final, o advogado anunciou uma campanha pelo afastamento do governador Cláudio Castro, com mobilização do movimento negro, movimentos de favelas e organizações sociais, como o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e o Movimento Negro Unificado (MNU).

Marcelo Dias conclui que o Estado do Rio de Janeiro abandonou a legalidade e que o silêncio diante dessas chacinas é uma forma de cumplicidade. Ele pede que o governo federal e a sociedade civil reajam para impedir a naturalização da violência de Estado contra as periferias.