6 de março de 2026
Lançamento de “Vozes do Mangue” destaca as narrativas e a resistência das mulheres marisqueiras

Foto: Reprodução

O Instituto Ananduá promove o lançamento do livro Vozes do Mangue: As marisqueiras e as tramas do poder no documentário “Mulheres das Águas”, de autoria de Francisco Filho, diretor do instituto. A publicação dá visibilidade às vozes de mulheres pescadoras artesanais da Bahia e de Pernambuco, refletindo sobre os atravessamentos sociais, econômicos e simbólicos que marcam suas trajetórias.

A obra tem origem na pesquisa de mestrado do autor e parte do documentário Mulheres das Águas (2016), de Beto Novaes. A partir dessa referência audiovisual, Francisco analisa os discursos das marisqueiras sob a perspectiva da Análise do Discurso materialista, dialogando com autores como Dominique Maingueneau, Louis Althusser e Pierre Bourdieu. O estudo busca compreender como essas mulheres lidam com discursos patriarcais, racistas e capitalistas, ao mesmo tempo em que constroem formas de resistência e reafirmação de identidade.

Dividido em três eixos — família, trabalho e corpo — o livro propõe uma leitura crítica e sensível dos sentidos produzidos no cotidiano dessas trabalhadoras. Ao dar centralidade às suas narrativas, o autor propõe uma reflexão sobre o papel da linguagem como espaço de disputa e transformação social.

Francisco Filho é mestre em Letras, com ênfase em Linguística e Análise do Discurso, e possui formação em Gestão e Planejamento Estratégico. Radialista e empresário, ele reúne diferentes perspectivas em torno de um mesmo propósito: valorizar a cultura popular e promover a escuta dos sujeitos historicamente silenciados. Também é autor do livro “Onde as Lágrimas Moram”, publicado pela Editora Perin, obra escrita durante o período de isolamento social da pandemia de COVID-19, na qual o autor transforma emoções em poesia e reflexão sobre a vida e os sentimentos humanos.

“Esse novo livro é um convite à escuta e à reflexão sobre o poder transformador da palavra. Ao dar voz às marisqueiras, damos visibilidade a histórias que, por muito tempo, ficaram à margem”, destaca Francisco Filho.

A publicação, realizada por meio do Instituto Ananduá, reafirma o compromisso da instituição com a produção cultural, o pensamento crítico e a valorização dos saberes tradicionais. O lançamento também reforça o papel do Instituto como espaço de promoção da diversidade, do diálogo e da inclusão social.