
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Enquanto o mundo celebra o Halloween, o Brasil tem uma data própria para valorizar suas raízes: 31 de outubro é o Dia do Saci, criado para destacar a força e a diversidade do folclore brasileiro. O personagem de uma perna só, travesso, esperto e dono de uma carapuça mágica que o torna invisível, é muito mais do que uma lenda infantil — é um símbolo da identidade cultural do país e da mistura entre tradições indígenas, africanas e europeias que formam o imaginário nacional.
O Dia do Saci foi instituído por lei em diversos estados e municípios brasileiros como uma forma de preservar e valorizar o folclore nacional. A data surgiu também como uma resposta à crescente influência do Halloween norte-americano, que tomou espaço nas escolas e nas festas infantis. “Não é uma competição, é uma afirmação de identidade. O Saci nos representa porque carrega a alegria, a esperteza e a irreverência do povo brasileiro”, explica o pesquisador de cultura popular Câmara Cascudo Filho, neto do renomado folclorista.
O Saci nasceu nas histórias orais do interior do Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, e foi eternizado em obras literárias como as de Monteiro Lobato, que o apresentou às novas gerações através do personagem do Sítio do Picapau Amarelo.
De origem indígena, o mito foi transformado com o passar dos séculos — ganhou a carapuça vermelha dos mouros trazida pelos portugueses e o cachimbo dos africanos escravizados. Essa fusão de referências faz do Saci uma verdadeira metáfora do Brasil: um povo múltiplo, mestiço e criativo.
Para o antropólogo Hermano Vianna, o Saci “é o espírito da travessura que desarma o medo, uma figura que desafia a lógica e o poder. Sua esperteza é uma forma de resistência popular diante das desigualdades”.
O folclore brasileiro vai muito além do Saci. São centenas de personagens e histórias que expressam a imaginação coletiva do país — Iara, Curupira, Bumba Meu Boi, Mula sem Cabeça, Boitatá, Negrinho do Pastoreio, entre tantos outros. Essas narrativas revelam valores, crenças, medos e sonhos de diferentes regiões e povos.
Valorizar o folclore é, portanto, valorizar a memória e a diversidade cultural do Brasil. Nas escolas, o Dia do Saci tem sido usado para promover atividades de leitura, teatro, música e contação de histórias, aproximando crianças da cultura popular.