
Foto: Gabriel de Paiva / Agência | O Globo Fila de corpos na Vila Cruzeiro, após operação no Complexo da Penha
O Brasil amanheceu, mais uma vez, coberto de sangue e silêncio. No Rio de Janeiro, mais de uma centena de pessoas perderam a vida durante uma operação policial apresentada como “histórica”. Mas o que a história realmente registra é o luto: mães que choram, crianças aterrorizadas, corpos espalhados nas vielas e o eco de uma pergunta que nunca cala — até quando?
O discurso oficial fala em “combate ao crime” e “sucesso operacional”. Mas o que há de sucesso em um Estado que transforma comunidades inteiras em zonas de guerra? O que há de vitória quando o preço é a morte de jovens negros, pobres, moradores das favelas e periferias?
As chacinas não são exceções. Tornaram-se rotina, política de Estado, estratégia disfarçada de segurança. A cada megaoperação, repete-se o mesmo roteiro: o governo celebra, parte da imprensa ecoa, e o povo das periferias enterra seus filhos. Não há guerra às drogas — há guerra aos pobres.
É preciso romper o ciclo da violência institucionalizada. Segurança pública não se constrói com fuzis, mas com escola, cultura, trabalho e dignidade. A polícia não pode continuar sendo instrumento de extermínio, e o Estado não pode se comportar como inimigo de seu próprio povo.
O Leia Sempre Brasil se soma às vozes que gritam por justiça e vida. É hora de um novo pacto social, em que as favelas sejam vistas como parte do Brasil — e não como território a ser “limpo” pela força.
Chega de matar o povo da periferia.
Nenhuma vida a menos. Nenhuma bala a mais.
O Brasil só será verdadeiramente livre quando cada morador da favela puder viver sem medo — e quando o Estado aprender que proteger é o contrário de matar.