7 de março de 2026
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No Cariri, quando o sábado desponta,
o sol acende o barro das casas,
e no terreiro já se sente o perfume
do feijão preto dançando na panela.
É cheiro que acorda lembrança,
é convite que não precisa de palavras:
a vizinhança entende e vem chegando,
porque feijoada é festa de alma aberta.

Na cozinha, a colher de pau gira lenta,
mistura carne-seca, costelinha, linguiça.
O caldo engrossa, o riso engrossa junto.
Enquanto isso, no alpendre, o povo proseia,
fala do Padre Cícero, das romarias,
da chuva que vem, do milho que brota,
das histórias que nunca se acabam.

E quando a mesa se arruma,
é um retrato vivo do sertão:
arroz soltinho, couve verdinha,
farofa dourada, laranja cortada.
O prato fumega como um abraço,
e cada colherada traz um pedaço
da infância, da amizade, da saudade boa
que mora no coração caririense.

Depois, o batuque se mistura:
um samba que vira forró,
um forró que vira oração dançada.
O riso ecoa, a roda gira,
e a feijoada vira poesia.

No Cariri, comer é partilhar,
partilhar é celebrar,
e celebrar é resistir.
Assim, a feijoada não é só comida:
é cultura, é memória, é raiz,
é a prova viva de que a alegria
sempre encontra lugar à mesa.