
Orientado pela educadora de Biologia, Antonia Josulene Mota e o educador de OTTP, Ruggeri Mikahaknem Mariano e demais educadores das áreas de ciências da natureza, linguagens e Códigos, Base Técnica, estudantes Anna Luiza, Luzirene, Renan, Fabienne da 1º série A, Ellem, Ana Clara da 2º série A, o desenvolvimento do projeto tem como objetivo buscar promover o uso sustentável dos recursos naturais da caatinga, através da coleta de frutos, sementes, cascas de plantas medicinais e florestais nativas da caatinga, para formar um banco de sementes na escola e permitir o uso sustentável dos recursos florestais existente nas comunidades e assentamentos da região Logradouro, que se insere em uma região de Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, resistente e de grande riqueza biodiversa. A história e a cultura do assentamento estão intrinsecamente ligadas à paisagem semiárida, moldando as práticas e os saberes de seus habitantes ao longo de gerações.
A ocupação e formação do assentamento, como muitos outros na região, é uma conquista através do movimento da luta pela terra no Brasil (MST), a partir da busca por justiça social na conquista da Terra e pela autonomia das famílias camponesas. Nesse processo, a terra não é vista apenas como um meio de subsistência, mas como um elemento central de identidade, pertença e memória coletiva da preservação do meio ambiente. As gerações mais antigas, os patriarcas e matriarcas, carregam em suas histórias de vida as marcas de um profundo conhecimento sobre o ambiente em que vivem, transmitindo esses conhecimentos de pais para filhos.
Apesar da profunda conexão com a Caatinga, a história da região também é marcada por desafios ambientais. O avanço do desmatamento na área, impulsionado por práticas insustentáveis como a extração de madeira para lenha e carvão vegetal, e a expansão de pastagens de forma desordenada, as queimas a partir da broca para o cultivo de culturas agrícolas, o uso exacerbado de agrotóxico praticamente em todas as comunidades e assentamentos que ficam ao redor da escola do campo tem ameaçado o equilíbrio do ecossistema e a subsistência de plantas nativas das comunidades locais. Esse cenário de degradação ambiental evidencia a necessidade urgente de práticas de conservação que vão além das políticas públicas formais.
Nesse contexto, os patriarcas e matriarcas do Assentamento Logradouro emergem como figuras centrais na luta contra o desmatamento. Eles são os Guardiãs e Guardiões da Caatinga, detentores de um saber-fazer que é, ao mesmo tempo, uma forma de sustento e uma estratégia de preservação. Seus conhecimentos etnobotânicos não apenas guiam o uso consciente dos recursos naturais, mas também representam uma resistência cultural contra a exploração predatória. Ao valorizar as sementes locais, manejar as plantas de forma sustentável e compartilhar suas experiências, eles demonstram o poder da sabedoria ancestral na preservação da biodiversidade e na restauração da dignidade ambiental da Caatinga. Este projeto, portanto, busca investigar como esses saberes ancestrais podem ser a chave para reverter os danos causados pelo desmatamento e fortalecer o papel da comunidade como guardiã do seu próprio território.

Com isso desenvolvemos os seguintes objetivos específicos
- Pesquisa para levantamento de dados sobre a problemática do desmatamento, queima de madeira para a produção de carvão nas cerâmicas existentes na cidade de Canindé\Ce;
- Fortalecer a identidade cultural das comunidades locais, valorizando seu conhecimento tradicional sobre as plantas nativas da caatinga;
- Promover a interação entre as gerações para a transmissão desse conhecimento;
- Identificar e catalogar as espécies de plantas florestais nativas e sementes crioulas nas comunidades da região;
- Realizar ações de educação ambiental, como doação de mudas e plantio de árvores no entorno da escola
A análise da atuação de matriarcas e patriarcas como “Guardiões da Caatinga” oferece uma perspectiva valiosa sobre como o conhecimento etnobotânico tradicional pode ser um instrumento eficaz para a preservação da biodiversidade. Ao reconhecer e valorizar esses saberes, é possível:
- Promover a conservação de espécies: O conhecimento sobre o uso e manejo de plantas garantindo a sua perpetuação.
- Fortalecer a segurança alimentar e a saúde: O uso de plantas medicinais e alimentícias contribui para o bem-estar das comunidades.
- Incentivar práticas sustentáveis: O manejo tradicional dos recursos vegetais é, em muitos casos, intrinsecamente sustentável.
- Criar pontes entre conhecimento tradicional e científico: A integração desses saberes pode gerar novas soluções para os desafios ambientais contemporâneos.
A constatação da veracidade dessas afirmativas é a realização do presente trabalho. Inicialmente, orientamos os estudantes quanto ao uso e cultivo corretos destas plantas; e resgatar a cultura do cultivo em suas residências e comunidades de plantas nativas da caatinga.
Em resumo, a pesquisa sobre os “Guardiões da Caatinga” e seus conhecimentos etnobotânicos é fundamental para a valorização das comunidades locais, do patrimônio biocultural e a construção de estratégias de conservação do conhecimento popular do bioma Caatinga.
A EEMPC Antônio Tavares Alves implementou uma metodologia interdisciplinar com o objetivo de conscientizar estudantes sobre o conhecimento ancestral e a preservação de espécies nativas da Caatinga, como medida mitigadora das mudanças climáticas. Esta pesquisa-ação, com abordagem mista (quantitativa e qualitativa), buscou transformar a realidade local, combatendo práticas inadequadas como desmatamento e uso indiscriminado de agrotóxicos e queimadas.
Doações de mudas nativas em parceria com a unidade produtiva de mudas do Campus das Auroras, na universidade internacional da integração da Lusofonia Afro-Brasilera (UNILAB)
Realizada uma roda de conversa com uma matriarca local Sr. Rita uma conhecedora das plantas nativas e remédios medicinais que compartilhou saberes sobre plantas medicinais da caatinga. Em seguida, foi ministrada uma oficina prática ensinando a preparação de remédios caseiros a partir da casca de angico.
Onde os estudantes aprenderam sobre o uso medicinal de plantas nativas e adquiriram habilidades práticas na confecção de remédios caseiros, valorizando o conhecimento empírico das matriarcas, havendo um engajamento significativo da comunidade na atividade.
Com a participação ativa dos estudantes no plantio das mudas a intencionalidade da atividade foi alcançada, desenvolvendo responsabilidade ambiental e compreensão sobre o processo de recuperação de áreas degradadas e a escola ganhou um espaço verde com espécies nativas.
A mostra científica serviu como vitrine do aprendizado e das conquistas do projeto, fortalecendo a autoestima dos estudantes e inspirando outros membros da comunidade escolar a socializar seus conhecimentos.
Em parceria com a Rádio Cafundó Crato-Ce,e Jornal digital Leia Sempre Brasil, da cidade de Cariri-Ce no programa cultura em debate através do jornalista, radialista e educador Andson Andrade, a publicação ampliou o alcance do projeto para além dos muros da escola, divulgando as ações e a importância da Caatinga para um público maior e fortalecendo a visibilidade das iniciativas de preservação.
Criação de um recurso educativo, tanto em formato digital quanto impresso, que sistematiza o conhecimento sobre a flora nativa. Este catálogo serve como ferramenta de consulta e aprendizado, promovendo a educação ambiental e a valorização da biodiversidade local.
Os resultados deste projeto demonstram o poder da educação da escola do campo contextualizada e participativa na formação humana de cidadãos conscientes e engajados com a preservação ambiental e cultural. A integração do conhecimento ancestral com a ciência escolar se mostrou fundamental para restabelecer a relação dos estudantes com o meio ambiente, especialmente com o bioma Caatinga.
Em resumo, a metodologia implementada na EEMPC Antônio Tavares Alves obteve resultados concretos na promoção da educação ambiental do campo, na valorização do patrimônio cultural e na conscientização sobre a importância da preservação da Caatinga, evidenciando a eficácia de abordagens pedagógicas do movimento (MST) que conectam a escola à realidade e aos saberes de sua comunidade.