6 de março de 2026
apagão

 

Por Leopoldo Martins
Advogado

Em Santa Desligada do Norte, município governado pelo ilustríssimo prefeito Raimundo Apagão, a energia elétrica é tratada como visita de parente distante: aparece de vez em quando, sem avisar, e logo some deixando um rastro de confusão.

Na Praça da Matriz, comerciantes já desenvolveram habilidades dignas de reality show de sobrevivência: vender filhós sem ver o cliente, calcular troco à base do “feeling” e improvisar ventilador humano com papelão. Enquanto isso, a Enel, sempre criativa, informa que a culpa não é dela — claro que não! Segundo a empresa, toda a rede de ligações improvisadas, fios cruzados e gambiarras com fita isolante é de responsabilidade exclusiva do município. Ou seja: se a praça virou um festival de “faíscas juninas” fora de época, agradeça à prefeitura que, pelo visto, confunde gestão pública com curso de eletricista amador do YouTube.

Prefeito Raimundo Apagão, em coletiva iluminada apenas por velas e lanternas de celular, declarou:
— Estamos trabalhando firmemente para resolver o problema. Já pedimos um orçamento para instalar uma usina movida a promessas eleitorais, que é o único recurso inesgotável por aqui.

Enquanto isso, os comerciantes contabilizam prejuízos e questionam se o município não deveria mudar o slogan oficial para algo mais honesto, como: “Santa Desligada do Norte: aqui a luz é opcional!”

No fim das contas, fica a lição: no jogo de empurra-empurra entre Enel e Prefeitura, quem acaba no escuro — literalmente — é o cidadão.
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