7 de março de 2026
traidores

Foto: Agência Brasil

Por Marcela Carneiro
Com formação em Pedagogia,
Especialista em Educação do Campo
(Pedagogia Histórico Crítica) pela
Universidade Federal do Ceará – UFC

Não se trata de divergência política. Não é sobre direita ou esquerda. O que Donald Trump e Jair Bolsonaro fizeram foi atentar contra o coração da democracia: as eleições livres. Ambos, sem provas, tentaram deslegitimar o voto popular, espalhando mentiras com a frieza calculada de quem prefere destruir um país a perder o poder.

O New York Times acerta ao dizer que “o Brasil soube o que fazer”. Diferente dos Estados Unidos, onde Trump alimentou a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, custando vidas e manchando a democracia mais antiga do mundo, aqui as instituições reagiram rápido. O Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral, mesmo sob ameaças e difamações, barraram o golpe e fizeram valer o resultado das urnas.

Mas sejamos claros: Bolsonaro e Trump são traidores da democracia. Usaram a máquina pública para desacreditar processos que juraram respeitar. Transformaram seguidores em massa de manobra, insuflaram ódio, desacreditaram a imprensa, atacaram juízes e semearam violência. O resultado? O Capitólio sitiado em Washington e o Congresso, o STF e o Planalto depredados em Brasília. A mesma estratégia, o mesmo roteiro golpista.

A diferença é que no Brasil houve reação imediata. Os terroristas de 8 de janeiro foram presos, e investigações seguem responsabilizando financiadores e articuladores. Já nos EUA, Trump ainda se mantém como força política, prova de que a democracia americana não soube se defender a tempo.

É preciso dizer o óbvio: presidentes que atacam o sistema eleitoral não são apenas figuras “polêmicas” ou “controversas”. São criminosos contra a pátria. São inimigos internos. A história deve registrá-los não como líderes populares, mas como exemplos de como a sede de poder pode transformar governantes em verdugos de suas próprias nações.

A democracia brasileira saiu arranhada, mas de pé. O recado precisa ser definitivo: quem tentar subverter o voto popular, seja em Washington ou em Brasília, deve ser lembrado como o que é — um traidor da República.