7 de março de 2026
editorial

Reprodução/Redes Sociais

Bolsonaro condenado

Pela primeira vez na história do Brasil um ex-presidente da República é condenado no Supremo Tribunal federal por tentativa de golpe de estado.  A decisão considera que Jair Bolsonaro liderou uma organização criminosa armada que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e dar um golpe de estado. O julgamento aponta o uso de discursos contra o sistema eleitoral e a articulação com aliados e militares para abalar a democracia. Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica desde o início das investigações. Para especialistas, a condenação reforça o compromisso das instituições com o Estado Democrático de Direito.

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro por organização criminosa armada, em ação que investiga sua participação em uma trama golpista após sua derrota eleitoral em 2022.

No momento de estabelecer as penas Jair Bolsonaro teve uma pena de 27 anos e 3 meses, em regime fechado e sofrerá 124 dias-multa no valor de dois salários mínimos, de acordo com Moraes.

Nesta quinta-feira, 11, a ministra Carmen Lúcia, em voto decisivo, considerou que há provas contundentes de que Bolsonaro liderou um grupo que contava com participação de membros do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, com o objetivo de impedir a alternância de poder nas eleições em 2022.

Com esse voto, o placar ficou em 3 a 1 a favor da condenação – já haviam votado pela culpa os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O ministro Luiz Fux foi o único a divergir até então, absolvendo o ex-presidente de todos os crimes.

Já o presidente da 1ª turma do STF, ministro Cristiano Zanin defendeu que o ex-presidente Jair Bolsonaro liderou a organização criminosa voltada a derrubar o governo eleito em 2022. O ministro também descartou o pedido de anulação da defesa do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. Ele também rejeitou a tese de cerceamento de defesa.

 Acusações e contexto

Bolsonaro responde a acusações feitas pelo Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República (PGR) que sustentam que ele estaria envolvido em:

  • tentativa de golpe de estado;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • organização criminosa armada;
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça;
  • deterioração do patrimônio tombado.

Segundo a PGR, o ex-presidente teria liderado uma estrutura articulada que planejou impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo ações entre militares, órgãos de inteligência e aliados, uso de discursos para deslegitimar o sistema eleitoral e preparo de medidas de exceção.

Repercussão política

A decisão marca um momento histórico no cenário jurídico e político brasileiro. Ela representa uma vitória simbólica para defensores da democracia e do Estado de Direito, ao estabelecer que autoridades eleitas também podem ser responsabilizadas quando há indícios de tentativa de ruptura institucional.

Jair Bolsonaro levou o Brasil durante seu governo a viver momentos dramáticos, como a pandemia em que não queria sequer comprar vacinas, abandonou programas sociais, se envolveu em ilegalidades como a questão das joias sauditas, e passou quatro anos ameaçando a sociedade de dar um golpe de estado que acabou sendo frustrado.

Fonte: Agencia Brasil/Reuters/Sputnik/The Guardian