
Foto: Reprodução/X (antigo Twitter)/@STF_oficial
Ao longo de sua história, o Brasil foi marcado por rupturas institucionais que deixaram cicatrizes profundas na sociedade. Desde o golpe militar de 1964, passando por crises políticas e tentativas de deslegitimação de governos democraticamente eleitos, o país carrega um histórico em que a democracia muitas vezes foi interrompida em nome de interesses de grupos específicos. Hoje, mais de três décadas após a Constituição de 1988, ainda há quem insista em soluções autoritárias para problemas complexos que só podem ser resolvidos dentro do jogo democrático.
O Brasil não precisa de novos golpes de Estado porque já experimentou na prática seus efeitos destrutivos: censura, perseguições, torturas, assassinatos, proibição de eleições, fim das garantias individuais, retrocessos sociais e concentração de poder e renda na mãos de poucos em detrimento da maioria da população.
O que se precisa é fortalecer as instituições democráticas, ampliar a participação popular e aprofundar a cidadania. Golpes sempre prometem ordem, mas entregam silêncio e medo.E para o povo pobreza e perda de direitos sociais. No Brasil, regimes autoritários serviram ainda para entregar nossas estatais e riquezas para grupos econômicos nacionais e estrangeiros. Democracia, ao contrário, pode ser ruidosa, conflituosa e lenta, mas garante espaço para que diferentes vozes sejam ouvidas e direitos sejam preservados.
Defender a democracia não significa ignorar suas falhas. O sistema político brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, como a desigualdade de representação, a corrupção e a influência desmedida do poder econômico. No entanto, a saída para essas distorções não é rasgar a Constituição, mas sim aperfeiçoá-la. A crítica e a participação popular são os caminhos legítimos para a transformação, nunca a imposição de soluções autoritárias.
Assim, o Brasil não precisa de mais retrocessos. Precisa, sim, de mais democracia: de educação política, de combate às fake news, de respeito ao voto popular e de valorização das instituições que garantem a pluralidade e os direitos humanos. Golpe de Estado é um atalho que conduz à escuridão; a democracia, mesmo com seus tropeços, é a estrada que leva à liberdade e à justiça social.