
Publicado originalmente em 1970, o livro Enterrem Meu Coração na Curva do Rio é uma das obras mais impactantes da historiografia crítica norte-americana. Escrito por Dee Brown, o livro narra a história da conquista do Oeste a partir do ponto de vista dos povos indígenas dos Estados Unidos.
Diferente da narrativa tradicional, que exaltava heróis como cowboys, militares e colonizadores, Brown dá voz aos vencidos — às nações nativas que foram massacradas, despojadas de suas terras e traídas por sucessivos tratados não cumpridos.
A obra é construída a partir de documentos oficiais, relatos de líderes indígenas, transcrições de discursos e registros da época. Cada capítulo reconta o choque violento entre tribos — como sioux, cheyennes, apaches e navajos — e o avanço militar, econômico e político dos brancos.
O livro evidencia as estratégias de resistência, a dignidade das lideranças nativas e, ao mesmo tempo, a brutalidade da expansão territorial dos EUA.
O título original faz referência ao massacre de Wounded Knee, ocorrido em 1890, quando centenas de índios lakota, em sua maioria mulheres e crianças, foram assassinados pelo exército americano. Já a edição brasileira ganhou o título Enterrem Meu Coração na Curva do Rio, que reforça a dimensão trágica e poética da obra.
Mais do que um registro histórico, o livro é um libelo contra a violência colonial, denunciando o etnocídio e o apagamento cultural sofrido pelos povos originários. Tornou-se um marco de denúncia e conscientização, influenciando tanto a historiografia quanto movimentos sociais que, ainda hoje, lutam pelo reconhecimento dos direitos indígenas.