
Por Tarso Araújo
Foi lançado sexta-feira, 29, o livro Olhos Celeiros da escritora Sheyla Xenofonte, no bar Vila Moringa, em Juazeiro do Norte, numa ação do Instituto Vida Cariri. No convite as palavras ecoam: “A obra é um convite para reencontrar a beleza das pequenas coisas e beber, em goles de poesia, o que há de mais verdadeiro no sentir humano”. E é isso mesmo.
Dizem que a poesia pode ser muitas coisas, serve para alegrar, entristecer, lembrar, saudar, para rever algo que passou ou sonhar com algo que você tanto deseja. Não sei como foi o encontro de Sheyla Xenofonte com a poesia, mas o meu encontro foi quando li Carlos Drumond de Andrade e seu famoso: “no meio do caminho tinha uma pedra” foi determinante para gostar de poesia, ler livros, amar as letras e sonhar. E muitas vezes sonhar demais.
Não sei, repito, como foi o encontro de Sheyla com a poesia, mas o meu encontro com os poemas desta escritora caririense é de lavar a alma literalmente. Quando fui ao lançamento de seu livro me surpreendeu a dedicatória que ela fez para mim: “Tarso, a poesia é a linguagem dos intervalos. Aquilo que existe entre o nascer e o morrer, entre o olhar e o compreender. Olhos Celeiros é tecido desses intervalos que sustentam a palavra.
E a poesia é mesmo repleta de intervalos. E como gosto de escrever poesias (mas sem coragem alguma de publicá-las) simplesmente me vi pensando nos intervalos que vivi para poder escrever o que já escrevi.
E no prefácio Alyssom Amancio nos alerta para a gente navegar em águas suaves da memória. Isso. Os intervalos e a memória são em minha opinião duas palavras fundamentais para a poesia. E a poesia de Sheyla Xenofonte é linda. Gostei muito de seu trabalho e não vou me perder analisando usa poesia até porque não sei fazer isso, mas sei quando a gente lê algo que vem da alma.
E a poesia de Sheyla Xenofonte vem da alma, dos intervalos, da memória, das lembranças partidas, repartidas, do tempo, dos afetos finitos e infinitos de nossos dias e daquilo de cultivamos e vivemos.
Para mim, a poesia é uma das formas mais antigas e belas de expressão humana. Por meio das palavras, ela traduz sentimentos, sonhos, dores e esperanças, tocando dimensões da alma que muitas vezes não conseguimos expressar em linguagem comum.
Sua importância está em revelar novas formas de ver o mundo, despertar reflexões e sensibilidades, preservando culturas e memórias. Além disso, a poesia aproxima as pessoas, pois fala do que é universal: o amor, a vida, a morte, o tempo, o cotidiano, banalidades e coisas importantes. Assim, ela não é apenas arte, mas também resistência, beleza e caminho de autoconhecimento.
“Lembranças daqueles golpes no tempo…
Do acordar mais cedo
Para liberar horas a mais
Nos nossos risos”
Essa é a minha cara, pois acredito que faço isso por um bom tempo. Quero mais tempo, para risos, trabalho, escrever, sonhar, lutar, desejar e produzir. E desejo muito ler, e ler livros saborosos como esse de Sheyla Xenofonte.
Ficou curioso?
E-mail da escritora: sxonofonter@yahoo.com.br
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Não li o livro ainda, mas conheço algumas poesias dela, o meu livro que comprei já está reservado…rs. Nas poesias que conheço dela, como Olhos Celeiros, por exemplo, ela nos lança ao local que ela suspira com muita alma e nos encontramos de repente nesse lugar, como pertencendo as linhas que ela escreve, num misto de rima rica e simplicidade, numa demonstração de amor pelo lugar que ali habita e nos transportamos para lá. Muito lindo, parabéns Sheyla Xenofonte pela sua poesia tão bem delineada que nos conforta na leitura e nos acalma pela alma das entrelinhas.