7 de março de 2026
centrão

, Foto: O líder da bancada do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), durante entrevista coletiva - Gabriela Biló - 22.jul.25/Folhapress

  

O Brasil vive um momento decisivo em relação à sua política tributária. O governo federal apresentou um projeto que prevê a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais — uma conquista histórica para milhões de trabalhadores e trabalhadoras que sustentam o país com seu esforço diário.

A medida, no entanto, vem sendo sabotada pelo chamado Centrão e por setores da direita no Congresso Nacional. Esses parlamentares querem inviabilizar a proposta ao se recusarem a aprovar as medidas compensatórias que garantem o equilíbrio fiscal. Ou seja: defendem que os super-ricos continuem intocados, enquanto a conta fique, mais uma vez, no colo da classe trabalhadora.

Por que taxar os ricos é urgente

Hoje, a desigualdade brasileira se expressa de maneira brutal na distribuição da renda e na cobrança de impostos. Enquanto os 50% mais pobres ficam com apenas 14,4% da riqueza nacional, os 10% mais ricos concentram mais de 51% de tudo o que se produz no país.

Para piorar, os super-ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que quem ganha salário. Isso acontece porque os dividendos — lucros distribuídos a acionistas — são isentos de tributação. Resultado: um trabalhador que recebe R$ 5 mil paga quase 10% da sua renda em impostos, enquanto quem vive de rendimentos milionários muitas vezes não contribui nem com 2,5%.

O projeto do governo busca corrigir essa distorção. Ele prevê uma alíquota de 10% sobre lucros e dividendos recebidos por pessoas físicas acima de R$ 50 mil por empresa, com progressividade para rendas muito altas. Ou seja, não se trata de penalizar a produção ou o investimento, mas de garantir que quem tem mais contribua de forma justa com o país.

O impacto real para o trabalhador

Para entender a importância dessa medida, basta observar alguns exemplos:

Um motorista que ganha R$ 3.500,00 por mês deixará de pagar quase R$ 4.200,00 por ano em imposto de renda.

Uma professora com salário de R$ 5 mil economizará R$ 3.754,00 anuais.

Até mesmo trabalhadores que ganham um pouco acima do limite da isenção terão alívio: um metalúrgico que recebe R$ 5.500,00 pagará bem menos imposto, economizando mais de R$ 3.200,00 ao ano.

Esses valores não são pequenos. São recursos que voltam diretamente para o consumo das famílias, movimentando a economia local, gerando emprego e renda no comércio, nos serviços e na indústria.

A pauta das centrais sindicais

Por isso, as centrais sindicais defendem com firmeza a aprovação do projeto. Mas a luta não para aí. Entre as principais bandeiras estão:

Isenção do IR até R$ 5 mil mensais: alívio imediato para milhões de trabalhadores.

Taxação dos super-ricos: medida de justiça social e equilíbrio fiscal.

Redução da jornada de trabalho sem redução de salários: para gerar mais empregos e melhorar a qualidade de vida.

Fim da escala 6×1: permitindo mais descanso, convivência familiar e saúde laboral.

Trabalho decente como prioridade permanente: combate à precarização e defesa de direitos históricos.

O papel da mobilização

Não é surpresa que os setores mais conservadores e ligados ao grande empresariado estejam contra essas mudanças. Afinal, elas mexem com privilégios de uma minoria acostumada a acumular riqueza sem contribuir proporcionalmente com a sociedade.

É por isso que a CUT e as demais centrais sindicais convocam a população para ocupar as ruas no dia 7 de setembro, Dia da Independência. O “Grito dos Excluídos” deste ano será também um plebiscito popular em defesa da justiça tributária e da valorização do trabalho.

Ao lado dos trabalhadores

O Brasil precisa escolher de que lado está: do lado dos trabalhadores que sustentam a nação ou do lado de uma elite que insiste em não abrir mão de privilégios. As propostas das centrais sindicais não são apenas reivindicações corporativas — são medidas que beneficiam a maioria do povo, fortalecem a economia e apontam para um país mais justo e equilibrado. A independência verdadeira só será conquistada quando a justiça social e tributária deixarem de ser promessas e se tornarem realidade.