
Foto: Sesc
A cultura popular do Cariri não é só calendário de festas: é economia criativa em movimento, memória viva e projeto de futuro. Nesta semana, o epicentro é a Mostra Sesc Cariri de Culturas 2025, que tomou 28 municípios do Cariri e alcança quatro cidades do Centro-Sul cearense, com o tema “Arqueologia Social Inclusiva” — um convite para desenterrar narrativas invisibilizadas e recolocar no centro os saberes do povo da Chapada do Araripe.
A Mostra acontece de 21 a 24 de agosto, com programação gratuita e transversal — música, teatro, dança, audiovisual, literatura, moda e gastronomia —, fortalecendo elos entre tradição e contemporaneidade. É cultura que gera renda, atrai turismo e ativa uma cadeia de serviços que vai do transporte à alimentação. A presença de nomes nacionais, como Vanessa da Mata no Parque de Exposições do Crato neste sábado (23), amplia o alcance sem perder o sotaque local.
Mas o Cariri vibra para além dos palcos da Mostra. Em Brejo Santo, o Festival Expobrejo abre no domingo (24) com a maior cavalgada do Ceará, símbolo de uma cultura equestre que atravessa gerações e movimenta comércio e hospedagem no interior. Tradição não é peça de museu: é motor de desenvolvimento quando o poder público e a comunidade cuidam dela.
E há, sim, peça de museu — viva. Em Salitre, a inauguração do Museu Vivo da Mandioca e o lançamento da rota turística da mandioca transformam um alimento identitário em experiência cultural, educativa e econômica. Farinheiros, boleiras, artesãos e festejos entram no roteiro, valorizando trabalho, técnicas e pertencimento. Cultura é trabalho: quando se reconhece isso, políticas saem do papel e viram emprego e orgulho.
Este jornal Leia Sempre Brasil mapeia, nesta edição, a pulsação dos eventos e agendas culturais da região — da Mostra Sesc às festividades em Várzea Alegre, passando por programações de música, circo, literatura e audiovisual. É um retrato da potência de um território que faz da cultura um modo de vida, um vetor de cidadania e um caminho de futuro para a juventude.
Nosso ponto: cultura popular não é “apêndice” — é estratégia. Quando o poder público investe em formação, circulação, editais, infraestrutura cultural e turismo de base comunitária, todo o ecossistema ganha. E quando a sociedade se mobiliza — de mestres de reisado a grupos de banda cabaçal, de contadores de histórias a artistas da cena urbana —, a democracia se fortalece: porque cidadãos com voz, memória e renda são menos vulneráveis ao obscurantismo.
Celebrar é também reivindicar. Que os próximos orçamentos priorizem a manutenção de espaços, a circulação de artistas, a salvaguarda de mestres e a estruturação de rotas culturais (como a da mandioca). Que a Mostra Sesc siga como vitrine e laboratório, que Brejo Santo mantenha a tradição forte e organizada, que cada cidade trate o seu patrimônio como política de Estado. Viva a cultura popular do Cariri e do Nordeste — porque é nela que a gente reconhece quem somos e o que ainda podemos ser.