
Foto: Reprodução
Por Tarso Araújo, radialista e contador de histórias nas horas vagas
A minha vida tem sido feita de muitas coisas, muitos momentos, oportunidades que vieram e peguei, outras que perdi, outras que deixei passar, amores que vivi, filhos que tive e recordações, muitas recordações. Alguns amigos me dizem que sou uma pessoa que tem muita imaginação. Outros que sou uma pessoa que fala sobre muitos assuntos. E que muitas vezes não paro de falar.
Tenho um tio de nome Murilo que desde cedo, e isso ele me contou anos mais tarde, se admirava quando me via pequeno, deitado na rede da minha avó lendo por horas e horas. E isso o fez pagar meus estudos. E aí a leitura passou a ser minha amiga, meu refúgio e de certo modo, minha salvação.
Quando olho para minhas estantes aqui em casa ou vejo uma biblioteca com milhares de livros apenas um pensamento me consome: “como tenho tanto para ler e sei que não vai dar tempo de ler tudo o que quero”.
Portanto, posso dizer sem mais delongas que sou um leitor ávido por todo tipo de leitura. E livros a gente não escolhe. Tem época que você lê mais livros didáticos, precisa aprender, tem escola, universidade, trabalho. E a leitura para se divertir, sonhar, ter novas ideias, buscar novos sonhos, aprender.
Não há intelectual ou a pessoa mais inteligente que já tenha vivido que não tenha percebido na leitura a guardiã de mais sabedoria. E amigos e amigas, como é bom ler um livro e sair melhor do que você estava quando iniciou a leitura desse livro.
E foi exatamente assim, me sentindo melhor quando terminei o livro do que comecei que li com muita avidez, surpresa, alegria, e um toque de nostalgia, o livro “Filho de Águia – Uma aventura em busca da felicidade” do amigo, jornalista e escritor de primeira grandeza Madson Vagner Conegundes da Costa.
Muitos podem dizer que falo isso por ser amigo do escritor. E sou, sem dúvidas. Mas o livro é muito grande. Confesso que li de forma rápida, a leitura foi me consumindo e li sem parar, praticamente.
Não vou aqui fazer um resumo da história. Aconselho a quem sair desse texto com curiosidade que leia o livro.
A águia é um dos mais belos animais criados por Deus. Estão no topo da cadeia alimentar e são carnívoras. Conseguem atingir suas presas com muita precisão e tem uma visão perfeita e aguçada. São animais que geralmente são lembrados quando nos referimos a pessoas com muita visão na vida, precisas, resilientes e fortes. Tem tudo isso no livro.
Mas o que me deixa perplexo com essa leitura foi a expressão máxima do livro. E tem de tudo na história contada por Madson Vagner. Tem pobreza, tem amizade, tem surpresa, tem propósito, tem família, tem uma sociedade desleixada e egoísta que abandona os seus, tem dúvidas, tem esperança, tem juventude. Tem muita criança, tem pessoas falando, vivendo, sofrendo e lutando. Tem até futebol no meio disso tudo. Mas tem algo superior a tudo isso (sem desmerecer todo o resto, obviamente): tem uma mãe que luta por um filho. E isso é de dilacerar a alma e o coração. E ao mesmo tempo de nos alegrar, fazermos referências com nossos e outros exemplos que conhecemos.
A cada linha do livro que tocava na história de dona Ivete e seu filho, aí eu comecei a entender (se é que posso tentar entender ou acertar os motivos do escritor) que o livro é sobre tudo isso que já falamos da sociedade, de uma família pobre, das superações, das limitações, dos momentos tristes e alegres vividos, das renúncias e melancolias, mas é muito sobre uma mulher, uma dona Ivete guerreira, realista, perspicaz, que não abriu mão de criar o filho com seus códigos inabaláveis de honestidade e firmeza no futuro, de crer no futuro, de acreditar em si mesmo, de ir para cima, como dizemos aqui no Ceará.
O livro “Filho de Águia” é uma justa homenagem à dona Ivete, mas também a todas as mães, assim como a minha, a mãe do Madson Vagner e tantas outras mães cheias de fogo, presença de luta, firmeza no olhar e nos propósitos que sempre nortearam as nossas vidas e norteiam noite após noite a vida de milhões de pequenos seres que estão apenas começando a vida.
O livro nos fala de vários momentos do Brasil. Lemos referências sobre os Anos 1980, 1990, o início do século XXI, mas o tempo é apenas o corredor, a escada, a trilha que o autor utiliza para falar do que ele realmente amou e ama na vida. Lembrar sem mágoas ou arrependimentos, apenas como lição do que passou, e daquilo que lutou para construir. As escolhas nos mostram quem somos, não as nossas palavras. As escolhas que tomamos e os caminhos que resolvemos percorrer constroem nossa ética, nossa vida, nossas relações e ser o que somos e quem somos.
E “Filho de Águia” nos leva a pensar, a sonhar, a olhar um pouco para trás sem medo, afinal, olhar para trás no momento certo é até interessante, pois você recorda o bom e o ruim do que aconteceu e coloca no coração apenas o que devemos e podemos guardar.
Olhar para trás não é apenas reviver nossos fracassos. É olhar com profunda nostalgia e imenso respeito aquilo que vivenciamos, quem fomos naquele determinado momento, e encontrar e relembrar e se alegrar pela forma como chegamos onde chegamos.
Filho de Águia não é apenas um livro sobre lembranças bem escrito, que às vezes machucam, mas um livro com lembranças que engrandecem. É antes de tudo um livro sobre celebrar a vida.
O livro é de uma nostalgia profunda. De saber e poder escrever com detalhes sobre momentos tristes e trágicos de forma quase saudosa, sem mágoas, mas com amor e lembranças. Afinal, são essas as lembranças que nos constroem.
Aguardamos ansiosos a segunda parte desta história genuinamente brasileira.
Quem um resumo? Vai agora um resumo sob minha ótica:
Aqui está um breve e tocante resumo do livro Filho de Águia: Uma Aventura em Busca da Felicidade, de Madson Vagner Conegundes da Costa:
O enredo narra a trajetória de dona Ivete e seu filho, uma jornada marcada pela pobreza, resiliência e esperança. A história se inicia com uma rotina simples de um pai de família que acorda, toma café e sai para o trabalho. Uma notícia ruim faz o homem refletir. E contar sua história, voltando incialmente para uma data fatídica: 5 de julho de 1982.
E a partir dessa data começamos a nos deparar com vários acontecimentos sobre uma família pobre em Porto Velho, Rondônia, que muito lutou para superar as adversidades e uma mãe lutando ferozmente para sustentar e deixar seu filho viver, crescer e mudar de vida.
Tudo isso sempre antenado com momentos e situações da nossa sociedade brasileira desigual que sai de uma ditadura em 1985 e passa por variadas transformações. A sociedade e as pessoas envolvidas na história mudaram.
A narrativa culmina com um momento que vai comover você quando ler: numa madrugada, mãe e filho permanecem unidos até o momento final de dona Ivete em um leito de hospital — conectados até o fim.
A obra representa, em essência, a história de muitos brasileiros que sonham e lutam. E são tantos os exemplos, mas “Filho de Águia” é um belo exemplo disso. É um relato sobre superação, determinação, fé e amor — lições que ecoam nas vidas de tantos que enfrentam dificuldades, mas persistem na busca da verdadeira felicidade e efetivas realizações. O enredo fala de vitórias emocionantes, perdas dolorosas, aprendizados duradouros e lições para a vida inteira.
E a certeza de que, quem como nós que vivemos no Nordeste sabemos como é difícil viver nessas paragens mesmo em tempos de abundância. Possamos perceber que há outros rincões do Brasil que talvez estejam em situação, por incrível que pareça iguais à nossa, onde muitas vezes não rareia a fome, a pobreza e a falta de oportunidades. E ao mesmo tempo, também não falta quem lute contra tudo isso.

Um resumo do livro pelo editor
Da mudança em cima da carroça, rumo à morada dos sonhos – um quarto de madeira mobiliado apenas por uma rede –, passando pela caminhada rumo ao arraial do bairro do Areal pela rua Rio de Janeiro às escuras, depois de um dia de fome, até a formatura em Campina Grande, quando achou ser seu dia mais feliz. Depois de ter ido à escola aos nove anos, dias depois de ter sido registrado como cidadão brasileiro, eles remaram contra a maré que condena pessoas pobres ao esquecimento social e finalizaram sua história em uma madrugada sombria, dentro de um leito de hospital, como sempre ligados; juntos. A história de dona Ivete e seu filho continuará dando asas às muitas outras espalhadas pelo Brasil. Histórias de um povo que sonha em resgatar a esperança perdida no emaranhado de dificuldades que a vida lhes impõe. Eles viveram em uma terra de heróis e fizeram de suas vidas um verdadeiro aprendizado sobre companheirismo, amor, determinação e fé. Eles viveram em busca da verdadeira FELICIDADE. Filho de Águia é uma história que fala sobre superação, foco e determinação; fala sobre vitórias emocionantes, derrotas doloridas e perdas irreparáveis; fala de aprendizados eternos e lições para toda vida. É uma história comum, é a história de todos nós, todos os que sonham e realizam seus sonhos.
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