7 de março de 2026
Lula lança plano “Brasil Soberano” para exportadores e afirma que disputa com Trump é política e ideológica

Foto: Reprodução

As medidas do governo Lula para reduzir o impacto do tarifaço de Trump em setores exportadores brasileiros para os EUA atraíram parte da mídia internacional, principalmente sites de jornais britânicos.

O governo Lula divulgou nesta quarta-feira um plano para apoiar os exportadores locais afetados pela tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre vários produtos do país sul-americano. Batizado de “Brasil Soberano”, o plano prevê uma linha de crédito de 30 bilhões de reais (US$ 5,5 bilhões), entre outras medidas.

O presidente Lula descreveu o plano, que inclui uma medida provisória a ser enviada ao Congresso, como um primeiro passo para ajudar os exportadores locais. Líderes do Congresso participaram da cerimônia, a primeira em meses, em um sinal de crescente apoio político ao líder de esquerda em resposta às tarifas de Trump.

Outras medidas anunciadas pelo governo brasileiro incluem o adiamento do pagamento de impostos para empresas afetadas pelas tarifas dos EUA, a concessão de 5 bilhões de reais (US$ 930.000) em créditos fiscais para pequenas e médias empresas até o final de 2026 e a ampliação do acesso a seguros contra pedidos cancelados. O plano também incentiva a compra pública de itens que não puderam ser exportados para os EUA.

“Não podemos ficar com medo, nervosos e ansiosos quando há uma crise. Uma crise é para criarmos coisas novas”, disse Lula. “Nesse caso, o que é desagradável é que as razões apresentadas para impor sanções contra o Brasil não existem.”

“Estamos em um debate que não é econômico, é político e com um teor ideológico”, destacou a mídia brasileira.

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O pacote é centrado em linhas de crédito para exportadores e compras governamentais de produtos que enfrentam maiores obstáculos para encontrar mercados alternativos. Embora alguns setores tenham sido isentos das tarifas mais altas, a medida ainda deve prejudicar indústrias como café, carne bovina, frutos do mar, têxteis, calçados e frutas.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva já havia sinalizado que seu governo não retaliaria imediatamente contra o aumento das tarifas, priorizando, em vez disso, o apoio aos setores mais afetados.

“Vamos insistir nas negociações… mas nossa soberania é intocável”, disse Lula em Brasília, afirmando estar aberto a conversas sobre temas como o comércio de etanol.

“Não estamos anunciando medidas de reciprocidade. Não queremos, em um primeiro momento, fazer nada que possa justificar o agravamento de nossas relações”.

(Independent / Reuters / BBC)

Guardian deu destaque a uma declaração do presidente Lula no lançamento do pacote: “Lula afirma que Trump seria julgado no Brasil se os distúrbios de 6 de janeiro tivessem ocorrido aqui”. E complementa: “Os comentários do presidente brasileiro surgem em meio a tentativas dos EUA de pressionar juízes no julgamento por golpe contra Bolsonaro, aliado de Trump”.

“O que estamos fazendo é algo que só acontece em países democráticos – julgar alguém com base em provas coletadas de testemunhas e com total presunção de inocência. Isso é democracia elevada à enésima potência… Eles estão sendo julgados com base em acordos judiciais e depoimentos prestados por pessoas que participaram da tentativa de golpe”, disse Lula no lançamento do pacote.

“O Brasil e o brasileiro que Trump subestimou. Ao mirar em Lula, Trump o elevou ao patamar de grande liderança global. Enxergou o que nem mesmo a opinião pública brasileira parecia enxergar”, diz o Le Monde Diplomatrique, em texto de Bruno Sindona, conselheiro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

O futuro do país chegou. Já não somos mais gigantes apenas pela própria natureza. Somos gigantes em soberania, em mercado, em relações, em democracia, e gigantes institucionalmente. O ataque americano mirou em um país menor, em uma republiqueta de bananas, e veio carregado de veneno institucional. Trump não tolera as instituições, e sabe que elas são seu verdadeiro inimigo. Ter encontrado aliados brasileiros da mesma estirpe o animou a atacar. Mas errou, como sempre erra quem subestima o adversário. Como erraram todos que viram em Lula um político menor. Como erram todos que, de tempos em tempos, anunciam que o Brasil já era.

LULA-XI

Em meio ao aumento das tarifas americanas, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da China, Xi Jinping, mantiveram uma conversa telefônica na qual se comprometeram a “defender o multilateralismo” no G-20 e no grupo BRICS, informou o governo brasileiro em um comunicado.

Ambos os países se comprometeram a ampliar a cooperação em setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites, bem como a identificar novas oportunidades de negócios. O diálogo surgiu depois que Lula teve uma conversa telefônica com Putin no sábado, na qual conversaram sobre o fortalecimento do BRICS.

(Análise do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica / Granma / Página 12)

LULA-ÍNDIA

De amigos a inimigos: o que está por trás da ira de Trump contra o Brasil e a Índia – Especialistas veem Washington traçando um novo mapa, e a frustração do presidente com Brasília e Nova Délhi tornou seus contornos ainda mais nítidos. (South China Morning Post)

MENORES NA REDE

No Le Parisian: Uma onda de choque no Brasil após um vídeo no YouTube. Uma publicação denunciando os perigos aos quais os menores estão expostos nas redes sociais mobilizou políticos de todos os lados no país, em pleno debate sobre a regulamentação das plataformas. Este vídeo de 50 minutos, publicado em 6 de agosto no YouTube pelo influenciador Felipe Bressanim, também conhecido como Felca, registrou mais de 35 milhões de visualizações.

Fonte: Fórum 21