6 de maio de 2026
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Foto: © Getty Images

 

A bancada bolsonarista não provocou um verdadeiro motim e paralisou as atividades do Congresso Nacional brasileiro por patriotismo, heroísmo ou honestidade. Fez para livrar Bolsonaro da cadeia, acabar com o foro privilegiado para que deputados não sejam mais investigados no STF por conta dos escândalos das emendas parlamentares e para afastar Alexandre de Moraes. Não conseguiram, mas a pressão continua.

Motim bolsonarista serve para privilegiar deputados investigados e livrar Bolsonaro da cadeia

A ficha suja de muitos deputados federais envolvidos em situações de ilegalidade é o grande mote para o motim bolsonarista que agitou a cena política brasileira nesta semana.

E com direito a uma piada do senador Cid Gomes (PSB/CE) que disse que se quisessem ele retirava os amotinados com uma retroescavadeira.

Piadas à parte, lógico que a bancada bolsonarista (e aliados) colocou no meio da pauta golpista a “reivindicação” de livrar  Bolsonaro da cadeia já que ele responde por vários crimes no STF como organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; golpe de estado; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado. Ou seja, os deputados bolsonaristas querem livrar Bolsonaro da cadeia mesmo com os crimes claros e comprovados que ele e outros cometeram.

Mas o que chama a atenção é o motivo por trás disso tudo. E se você amigo cidadão brasileiro não entendeu está na hora de ligar a luz amarela para as reais intenções dos bolsonaristas e de parlamentares de outros partidos que querem fugir de investigações.

Falamos de colocar na pauta da Câmara e do Senado o fim do foro privilegiado. Para os bolsonaristas uma bandeira de honestidade. Dando a real? Colocar na pauta no momento atual do Congresso Nacional o fim do foro especial por prerrogativa de função nada mais é do que fazer uma manobra para que todos os deputados e senadores investigados, por exemplo, por conta das emendas parlamentares tenham seus processos paralisados e enviados para a justiça comum, primeira instância. Isso é que é privilégio.

Ou seja, uma proposta que além de beneficiar Bolsonaro iria privilegiar deputados que estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Estima-se algo em torno do  80 políticos, praticamente de quase todos os partidos políticos, no alvo de inquéritos da Polícia Federal.

O fim do motim teria se dado por conta de um acordo em que se colocaria em votação as duas propostas: anistia para os golpistas do 8 de janeiro e fim do foro privilegiado.

Só que Hugo Mota (Republicanos/PB) disse em entrevista que não fez acordo algum com a bancada bolsonarista ou com qualquer outra para voltar à normalidade dos trabalhos legislativos.

O próprio Sóstenes Cavalcante (PL/RJ) um dos chefes dos amotinados depois teve que pedir desculpas à Motta pela informação errada, mas confirmou que fechou com acordo entre PP, União e PSD, de Gilberto Kassab.

Segundo o jornal O Globo, Sóstenes fez um apelo de reconciliação e reconheceu ter se excedido nas críticas a Hugo Motta. “Num dia como ontem, não há vencedores ou vencidos. O presidente Hugo não foi chantageado por nós e não assumiu compromisso com nenhuma pauta. Os líderes dos partidos que assumiram foram PSD, União Brasil e Progressistas”, declarou.

A chantagem que existe no contexto atual é de parlamentares que querem o fim do foro privilegiado para escaparem de investigações que estão batendo em seus calcanhares. E de quebra, querem a cabeça de Alexandre de Moraes. Não conseguiram, mas estão conseguindo trair o Brasil apoiando o tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump.

 

Fontes: Sites Brasil 247, CNN e O Globo.