
Gilberto Gil se despede da filha, Preta. Créditos: Lia Maciel / Mkt Cemitério da Penitência
O músico Gilberto Gil, de 83 anos, divulgou uma publicação em seu perfil no Instagram neste sábado (26) em que se despede da filha, Preta, que morreu devido a um câncer no intestino e foi cremada nesta sexta-feira (25) no Rio de Janeiro.
Gil divulgou a foto em que aparece dando um beijo carinhoso em Preta durante o velório realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na publicação, o músico ainda publicou foto da esposa, Flora, com a mensagem.
“Até os próximos 50 bilhões de anos… Onde houver alegria e amor, haverá Preta”, escreveu o cantor.
Na emocionante despedida a Preta Gil, muitos fãs estranharam o fato de que o pai, Gilberto Gil, a esposa dele, Flora, a mãe de Preta, Sandra Gadelha, o filho, Francisco, e muitos parentes e amigos usavam roupas brancas.
A própria Preta Gil foi velada usando roupas brancas, quando na cultura cristã se usa o preto como sinal de luto.
Preta era devota de Santa Dulce dos Pobres e Nossa Senhora Aparecida, santas da Igreja Católica, mas no sincretismo religioso que se mostra especialmente na Bahia, estado de origem da família Gil, a cantora expressava sua fé como filha de Oxum, orixá das religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé.
Às sextas-feiras, os adeptos dessas religiões costumam usar roupas brancas por ser o dia dedicado a Oxalá, o orixá criador, que tem características de Jesus Cristo e comumente é atrelado ao Nosso Senhor do Bonfim no sincretismo religioso.
O branco, portanto, é usado em muitas outras ocasiões, como os festejos do Ano Novo – que já ultrapassou os costumes das religiões afro – e em velórios.
Na crença das religiões afro, a morte precede uma nova vida e é comparada, inclusive ao nascimento, quando o bebê vem à luz, preenchendo o vazio noturno e nutrindo a energia – o axé – da própria vida.
O sepultamento com roupas brancas se dá justamente para que o seguidor dos ritos africanos entre com trajes apropriados na nova vida, em seu renascimento. No velório, os presentes se vestem de roupas brancas, simples e sem adereços, para celebrar a passagem para uma nova vida.
O branco ainda é um sinal de respeito à ancestralidade, um reconhecimento de que a pessoa que faz a passagem para outra vida segue sua jornada, permanecendo o elo.
A morte, portanto, não é o fim para as religiões africanas, mas a continuidade da própria vida após a existência no plano terrestre.
O próprio Francisco, filho de Preta, expressou isso na sua mensagem de despedida da mãe, citando uma frase dita pelo avô, Gilberto Gil.
“Como disse seu pai pra mim depois de você partir: ‘que agora venham os 50 bilhões de anos…’. Estenda-se infinito, mãezinha. A gente que é de axé sabe que a morte não é um fim”, escreveu Francisco.
Fonte: Revista Fórum