
Por terra, crédito, alimentos e educação, a Semana Camponesa ressalta a necessidade urgente da reforma agrária para assegurar soberania alimentar e justiça social no campo brasileiro
Na manhã desta terça-feira (22), aproximadamente 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Fortaleza, capital do Ceará. A ação integra a Semana Camponesa, realizada nas cinco regiões do país, em alusão ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, celebrado em 25 de julho.
Com o lema “Para o Brasil alimentar, Reforma Agrária Popular!”, a mobilização ressalta a urgência da reforma agrária para garantir a soberania alimentar do país e enfrentar a fome e a miséria. O movimento denuncia ainda a pressão do imperialismo estadunidense e a influência do agronegócio, que conta com o apoio de setores conservadores e do bolsonarismo.
A Semana Camponesa tem como objetivo denunciar as recentes políticas do Congresso Nacional, considerado conservador, que flexibilizou o licenciamento ambiental e autorizou ações policiais violentas contra ocupações rurais. Além disso, apesar das expectativas em relação ao governo Lula, o orçamento destinado à desapropriação de terras é, segundo nota da Associação Brasileira de Reforma Agrária, insuficiente. De acordo com a entidade, “no orçamento deste ano, o governo dispõe de apenas 406 milhões para aquisição e desapropriações de terras”, valor que não atende às demandas do movimento, deixando milhares de famílias em condições precárias em acampamentos.
Enquanto isso, o agronegócio receberá cerca de 516 bilhões de reais em incentivos fiscais no Plano Safra 2025/2026, cifra que evidencia a desigualdade na distribuição de recursos públicos entre o capital concentrado do campo e os trabalhadores rurais.
Gene Santos, da Direção Nacional do MST Ceará, reafirmou as principais reivindicações da Semana Camponesa e expressou sua opinião sobre a situação:
“A luta por terra, crédito para produção, assistência técnica, educação do campo, políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar e preservem o meio ambiente é fundamental. Também reivindicamos o aumento do orçamento para programas de fomento à produção de alimentos, habitação rural, mecanização agrícola e educação do campo, para garantir condições dignas para nossas famílias das áreas de reforma agrária.”
Ainda de acordo com Gene Santos, apoiar a reforma agrária popular para o Brasil:
“Consideramos a reforma agrária popular um caminho indispensável para a soberania alimentar e a justiça social no país. A agricultura familiar é fundamental para produzir alimentos de forma sustentável, preservar o meio ambiente e manter a população no campo.”
A ocupação da sede do Incra, segundo o dirigente do MST, é uma forma legítima e necessária de pressionar o governo a cumprir suas promessas e assegurar o direito à terra.
