
Foto: Matthieu Paley/National Geographic
Os Bajau — conhecidos como os “nômades do mar” do Sudeste Asiático — inspiram fascinação por sua capacidade extraordinária de mergulhar sem equipamentos por longos períodos.
Estudos mostram que pessoas desta etnia conseguem segurar a respiração por vários minutos — alguns reportam registros de até cerca de 10 a 13 minutos — enquanto caçam a profundidades de mais de 70 metros apenas com óculos de madeira e peso na cintura.
Mas o segredo do talento deles está em uma adaptação biológica notável: os Bajau desenvolveram esplênicos significativamente maiores — cerca de 50% a mais que pessoas de grupos vizinhos — que funcionam como um “tanque de oxigênio”. Quando mergulham, o baço contrai e libera um estoque de glóbulos vermelhos, prolongando sua capacidade pulmonar de forma natural.
Essa característica não é resultado apenas de treinamento, mas de uma mudança genética ao longo de gerações. A mutação mais significativa ocorre no gene PDE10A, associada ao tamanho do baço, além de variações em genes como BDKRB2 e FAM178B, que aprimoram a vasoconstrição periférica e o equilíbrio de CO₂ — componentes da resposta de mergulho.
A descoberta foi publicada em 2018 na revista Cell e reforça como a evolução humana pode se moldar a ambientes extremos. Estudar essa adaptação pode trazer insights valiosos para tratamentos em casos de hipóxia — como em cirurgias e emergências médicas.
📌 Fonte: Berkeley News, The Guardian, BBC, National Geographic, estudos na revista Cell e Wikipedia.