
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O que seria da cultura sem a participação das mulheres, em especial, cito a nossa socióloga, pesquisadora e produtora cultural Cristina Diogo. Uma nordestina arretada, cuja raízes estão fincadas em toda a extensão da Chapada do Araripe. Sua atuação no Cariri cearense é exemplar e inspirador. Com um compromisso incansável em promover e preservar a cultura regional, Cristina se destaca como uma ativista ambiental e uma defensora da riqueza histórica e cultural de Juazeiro do Norte e de toda a região. Seu trabalho como autora da revista em quadrinhos sobre a história do Padre Cícero Romão Batista é uma iniciativa inovadora, que torna a história acessível às novas gerações, unindo educação e arte de maneira cativante, além do fato de ser instrumento de preservação da memória, daquele que é um ícone sagrado no imaginário popular de todo o nordeste brasileiro.
Ao implantar a primeira escola de circo em Juazeiro do Norte, Cristina abriu portas para jovens e adultos explorarem novas formas de expressão artística, fortalecendo a diversidade cultural da cidade. Seu interesse pela gastronomia e pelo artesanato locais reflete seu respeito pelas tradições e pelo saber popular, elementos que ela investiga e valoriza em suas pesquisas.
A sua mais recente conquista foi vencer o Edital Retomada Funarte 2023 – Circo. Realização da Fundação Nacional de Artes- FUNARTE e o Ministério da Cultura, responsáveis pelo financiamento. Concorreu com o Projeto Fazendo a Praça. Um trabalho de pesquisa na perspectiva de quebrar paradigmas em relação a disseminação da pesquisa cientifica. “As ciências sociais a serviço dos circenses tradicionais, construindo uma ponte de inovação e ressignificação da realidade do circo do Nordeste”. A pesquisa aborda o impacto das políticas públicas frente a sobrevivência dos circos itinerantes, além de evidenciar a importância de uma restruturação das políticas culturais do Brasil. Os circos tradicionais representam o patrimônio cultural imaterial, portanto é necessário que as políticas sejam mais inclusivas e de apoio permanente. A pesquisa apresenta sugestões praticas para a preservação e fortalecimento dos circos, tanto nos que diz respeito aos processos burocráticos, como nas condições de infraestrutura, reconhecimento e valorização das tradições circenses. “O circo é uma forma de arte viva que necessita de apoio para continuar encantando gerações futuras”.
A nossa gratidão a essa mulher, a andarilha da cultura que pensa o futuro na perspectiva do presente, assim como nos ensina o mestre Paulo Freire, quando afirma que “é a educação que faz o futuro parecer um lugar de esperança e transformação”, e cada um de nós temos que reconhecer e aprender com essa mulher consciente e sabedora da sua missão como socióloga e educadora moderna que segue amorosamente os ensinamentos do mestre. “A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos”.
Através dos muitos projetos que idealiza e implementa nas áreas de cultura e meio ambiente, Cristina contribui para a construção de uma sociedade mais consciente, conectada com suas raízes e comprometida com o desenvolvimento sustentável. Sua dedicação à causa ambiental e à cultura do Nordeste é um exemplo a ser seguido e merece reconhecimento e respeito. Salve o Circo!