
Foto: Comunicação/SNMPT - Elas por Elas
O dia 25 de novembro foi consagrado o dia internacional para Eliminação da Violência Contra as Mulheres. A Organização das Nações Unidas (ONU), celebra – anualmente – a semana do ativismo e denuncia a violência contra as mulheres no mundo todo e passou a exigir as políticas públicas focadas no combate e enfretamento a esse fenômeno. Nesse mesmo dia internacional a ONU publicou o diagnostico dos últimos doze meses e apresenta dados reveladores sobre o feminicídio. São 85 mil mulheres e meninas em todo o planeta que tiveram suas vidas ceifadas nesse período abordado pelo estudo.
O fenômeno da violência contra a mulher, sem dúvida, tem raízes profundas no modelo do patriarcado e da sociedade machista que perduram nas relações domesticas, sociais, econômica e política. Nos questionamos sobre as dificuldades e os obstáculos que travam os avanços necessários para modificar essa triste realidade que permeia o genocídio das mulheres e meninas. Apesar dos programas e políticas públicas desenvolvidas e implementadas, mesmo assim, as marcas crescentes da violência conseguem se sobrepor aos esforços do poder público e da sociedade civil engajadas no enfrentamento e no combate à violência contra a mulher. Importante reconhecer o movimento, as articulações e as iniciativas do poder público e demais instituições da sociedade civil na perspectiva da promoção dos direitos das mulheres, da cidadania feminina, a igualdade de gênero, autonomia e a inclusão econômica das mulheres, por outro lado, a sociedade de consumo, um produto resultante do sistema capitalista, não tem poupado as mulheres brancas, amarelas, pardas e negras, da elite, da classe trabalhadora e pobres. São as vítimas em potencial da mão de obra explorada, do mercado criminoso de tráfico humano para fins da exploração sexual de crianças e da prostituição de mulheres nos grandes centros urbanos.
Há uma guerra declarada contra nós, mulheres. Alguém duvida?!
Faço um destaque no Ceará para a região do Cariri, que deveras contribui com um dos mais altos índices de violência contra as mulheres. Hoje conta com um importante equipamento voltado para o enfrentamento a violência de gênero, trata-se da Casa da Mulher Cearense (CMC), sediado em Juazeiro do Norte, município da conurbação CraJuBar. A CMC é fruto da luta do movimento de mulheres do Cariri que idealizaram junto ao governo do estado responsável pela execução, implantação e gestão do equipamento. Atende as mulheres que estão no ciclo da violência, realiza capacitações com os agentes públicos e as comunidades, promove campanhas de prevenção e de conteúdos sobre a violência domestica e o feminicídio. Recentemente a CMC publicou um relatório sobre os números da violência contra as mulheres, a partir do banco de dados alimentado pela CMC.
Apresenta um levantamento que vai de março de 2022 a outubro de 2024. Totalizando 40.520 atendimentos, cuja faixa etária vai de 25 a 44 anos que corresponde a 62% dos atendimentos, sendo 74% mulheres pardas e pretas (raça e etnia); 71% possui até ensino médio completo (escolaridade); 90% atéum salário mínimo (renda); 63% solteiras (estado civil); 92% cisgênero, 8% intersexo, transexual e travesti (orientação sexual).
Urge uma aliança com a sociedade que continua matando as mulheres dia após dia, basta de violência, basta de guerras.
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📅 Período: 29 de novembro a 5 de dezembro de 2024