6 de maio de 2026

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Conselho de Ética da Câmara contra o tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS), presidente da CPI do MST, por mais uma violência política de gênero.

Na sessão da CPI dessa quinta-feira, Zucco, fez uma fala machista e gordofóbica direcionada à deputada do PSOL, oferecendo, em tom de deboche, um remédio para se acalmar ou um hambúrguer.

“A senhora está nervosa, deputada? Quer um remédio ou quer um hambúrguer?”, disse Zucco.

A deputada reagiu com um discurso contundente:
O tiro da CPI do MST saiu pela culatra e restou aos bolsonaristas apenas a baixeza dos ataques misóginos. Tenho orgulho do nosso trabalho nessa CPI e vamos seguir combatendo o agrogolpismo com ainda mais força. As mulheres não abaixarão a cabeça, a nossa coragem é o medo deles!

ZUCCO JÁ DESLIGOU MICROFONE DE SAMIA 25 VEZES

A assessoria de imprensa afirmou que o fato dessa quinta-feira será juntado a um inquérito já aberto na PGR acerca de outros episódios em que Zucco praticou violência política de gênero na CPI.

No total, o presidente da comissão desligou 25 vezes o microfone de Sâmia enquanto a deputada falava.

Em outra ocasião, Zucco mandou Sâmia ficar “calada” e “respeitar os demais deputados”, acusando-a de não deixar os outros parlamentares falar.

“Qual é o seu objetivo, deputada Sâmia? Quer que eu encerre a sessão? Fique calada e respeite os demais deputados”, ameaçou Zucco.

O presidente da CPI também permitiu que o deputado General Girão (PL-RN) também fizesse declarações “misóginas e absurdas” contra Sâmia, na visão do PSOL.

O parlamentar disse em referência à deputada que “ela acha que, por ser mulher, não pode ser interrompida” e que respeitava as mulheres “responsáveis pela procriação e harmonia da família”.

Em outro momento, o relator da CPI, o deputado Ricardo Salles (PL-SP) disse que a deputada estava se vitimizando e sugeriu uma representação conjunta contra a deputada.

“Sempre que esta deputada quer se vitimizar diz que é interrompida, então esse momento precisa ficar registrado”, afirmou o ex-ministro do governo Bolsonaro.

Zucco, por sua vez, afirmou que o objetivo das deputadas Sâmia Bomfim, Fernando Melchionna (PSOL-RS) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) é “interromper trabalhos, fazer provocações baixas e desrespeitosas com seus colegas para, no final, posarem de vítimas apenas pelo fato de serem mulheres”, disse ao UOL.

*Com informações do Brasil de Fato.