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Juventude nas urnas: o peso de uma geração

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Por Arthur Brito

Historiador

 

​No próximo domingo, o Brasil vai parar nas urnas. E entre os milhões de eleitores que vão cruzar as seções eleitorais, tem uma turma que chama muita atenção: cerca de 28 milhões de brasileiros entre 16 e 29 anos.

​Para muitos deles, a urna ainda é uma novidade meio misteriosa. Para outros, é o primeiro contato real com a responsabilidade de tentar direcionar o país. O mais curioso é ver que quase 1 milhão e meio têm 16 ou 17 anos. Ninguém obrigou essa molecada a votar; eles tiraram o título por conta própria só para poder dar pitaco na política antes mesmo de a lei exigir.

​Claro que é uma grande besteira tentar encaixar essa gente toda numa caixinha só. A realidade de um jovem de 17 anos na periferia não tem quase nada a ver com a de um universitário ou de quem já rala o dia todo no subemprego para pagar aluguel. As dores são outras. Mas o que une todo mundo é a urgência de resolver problemas bem concretos: o primeiro emprego sem aquela exigência absurda de experiência, a vaga na faculdade, o salário que der para o mês inteiro.

​A eleição nunca foi só sobre quem ganha a cadeira. Eleição é sobre o tempo que vem depois.

​Os mais velhos votam, mas são os mais novos que vão morar no futuro que resultar disso tudo. Por isso, mais do que tentar adivinhar lado político, a grande questão é outra: que tipo de país essa geração vai encontrar quando a poeira baixar e a rotina voltar?

​No fim das contas, o voto dura segundos na cabine. Mas o que vai para as urnas é o sonho e o cansaço de uma geração que resolveu cobrar a fatura. Porque, no fundo, o futuro não é apenas o que nos espera amanhã; ele é a cobrança exata do que decidimos mudar no presente.