Mulheres ampliam espaço na disputa por vagas na Câmara dos Deputados no Ceará em 2026

A disputa pelas 22 cadeiras do Ceará na Câmara dos Deputados chega às últimas semanas antes da votação de 4 de outubro com uma presença feminina mais estruturada e com candidaturas que receberam recursos significativos das legendas. Dirigentes partidários citados no cenário eleitoral trabalham com projeções internas que apontam para a possibilidade de uma bancada feminina maior a partir de 2027, embora o resultado dependa da votação, do desempenho das federações e partidos e da aplicação das regras do sistema proporcional.
As estimativas mencionadas para a eleição apontam para seis ou sete mulheres entre as 22 vagas cearenses. Trata-se, porém, de uma projeção e não de um resultado eleitoral antecipado. A composição definitiva da bancada somente será conhecida após a apuração e a totalização oficial dos votos.
O cenário representa uma mudança importante em relação à composição definida nas eleições de 2022. Na legislatura iniciada em 2023, o Ceará teve três deputadas federais eleitas: Dayany do Capitão, Fernanda Pessoa e Luizianne Lins. Em 2026, uma mudança provocada pela retotalização dos votos de 2022 alterou a composição: o mandato de Dayany Bittencourt foi declarado perdido e a vaga passou a Priscila Costa, após decisão da Justiça Eleitoral.
Dinheiro do fundo eleitoral entra no planejamento das campanhas
Entre os elementos que ajudam a explicar o espaço conquistado pelas candidaturas femininas está o volume de recursos destinado às campanhas. Levantamento publicado por O POVO, com base nos dados de financiamento eleitoral, mostra várias mulheres entre as candidaturas que receberam os maiores repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para a disputa pela Câmara no Ceará.
Na relação apresentada, aparecem Sandrinha Cavalcante, do Cidadania, com R$ 3,1 milhões; Giordanna Mano, do PRD, com R$ 3 milhões; Dayany do Capitão, do União Brasil, com cerca de R$ 2,9 milhões; Fernanda Pessoa, do PSD, com R$ 2,8 milhões; e Erika Amorim, do Republicanos, com aproximadamente R$ 2,57 milhões. Também aparecem entre as candidaturas femininas com recursos expressivos Luana Régia, Tainah Marinho, Enfermeira Ana Paula, Luisa Cela, Priscila Costa e Larissa Gaspar.
Os dados de prestação de contas são atualizados ao longo da campanha. No caso de Sandrinha Cavalcante, por exemplo, a base de dados que reproduz informações do TSE registrava R$ 3,1 milhões em recursos do FEFC, além de outros valores declarados. Giordanna Mano aparecia com pouco mais de R$ 3 milhões recebidos, enquanto Dayany do Capitão tinha cerca de R$ 2,905 milhões registrados.
Tainah Marinho, por sua vez, tinha registrado R$ 1,695 milhão em recursos do Fundo Eleitoral, segundo os dados disponíveis em setembro.
Diferentes perfis entram na corrida
A disputa feminina reúne candidaturas com trajetórias distintas. Há deputadas que tentam renovar o mandato, ex-parlamentares, ex-prefeitas, deputadas estaduais, integrantes de famílias com longa atuação política e nomes que buscam pela primeira vez uma cadeira na Câmara Federal.
Entre os nomes citados no cenário eleitoral estão Giordanna Mano, Sandrinha Cavalcante, Fernanda Pessoa, Tainah Marinho, Priscila Costa, Dayany do Capitão, Erika Amorim, Luisa Cela, Larissa Gaspar e Enfermeira Ana Paula.
Fernanda Pessoa disputa a renovação do mandato e é atualmente deputada federal pelo PSD-CE. Luizianne Lins também permanece no exercício do mandato na legislatura 2023-2027 e integra a bancada cearense na Câmara. Priscila Costa, igualmente, ocupa atualmente uma cadeira após a retotalização dos votos de 2022.
Redes políticas e familiares
Outro elemento presente em parte das candidaturas é a existência de redes políticas familiares. Há candidatas ligadas por parentesco ou casamento a prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e outras lideranças.
Esses vínculos podem representar acesso a estruturas políticas e bases eleitorais já estabelecidas, mas seu efeito sobre a votação não pode ser determinado antecipadamente. No sistema proporcional, a eleição depende da combinação entre votação individual e desempenho do partido ou federação.
O peso do sistema proporcional
A possibilidade de ampliação da bancada feminina também está relacionada ao funcionamento da eleição para deputado federal. O eleitor vota em um candidato ou na legenda, mas as cadeiras são distribuídas de acordo com a votação obtida por partidos e federações, além das regras relativas ao quociente eleitoral, quociente partidário e distribuição das vagas restantes.
Nas eleições de 2022, o Ceará teve 4.935.478 votos computados para deputado federal, segundo a totalização do TRE-CE. Naquele pleito, Dayany do Capitão foi eleita por média com 54.526 votos, enquanto a maior votação individual foi de André Fernandes, com 229.509 votos.
Esse mecanismo faz com que uma votação individual expressiva não seja o único fator determinante para conquistar uma vaga. A força eleitoral da legenda ou da federação também interfere diretamente no número de cadeiras obtidas.
Uma bancada que pode mudar de perfil
Caso as projeções partidárias citadas se confirmem nas urnas, o Ceará poderá chegar a seis ou sete deputadas federais na próxima legislatura, ampliando a presença feminina em Brasília.
O cenário atual, entretanto, deve ser tratado como uma expectativa construída pelas campanhas e dirigentes partidários, e não como previsão do resultado. Pesquisas eleitorais, recursos financeiros, estrutura partidária, presença municipal e votação dos candidatos são fatores que podem influenciar a disputa, mas somente a apuração oficial determinará a composição da bancada.
A eleição de 2026, portanto, coloca a participação feminina no centro da disputa proporcional cearense. A questão que ficará para as urnas é quantas das candidaturas hoje apresentadas com maior estrutura conseguirão transformar presença de campanha, recursos e bases eleitorais em votos suficientes para conquistar uma das 22 cadeiras destinadas ao Estado.