18 de agosto de 2026
Pesquisadora observa planta rara em área de campo rupestre

Imagem: Reprodução

Espécies endêmicas consideradas possivelmente extintas foram localizadas em Minas Gerais e serão estudadas para reprodução e reintrodução.

Pesquisadores localizaram no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, espécies de plantas raras que não eram observadas na natureza havia mais de 30 anos. Algumas apareciam na literatura científica como possivelmente extintas. Os achados ocorreram durante buscas em áreas protegidas e agora serão submetidos a identificação, sequenciamento genético e estudos voltados à reprodução e à conservação.

Entre as espécies reencontradas estão Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena, conhecidas como sempre-vivas ou chuveirinhos. Elas são endêmicas, isto é, ocorrem naturalmente apenas naquela região. Adaptadas a solos ferruginosos, rochas expostas, pouca água e forte variação de temperatura, essas plantas ajudam a compor os campos rupestres e dependem de condições ambientais muito específicas.

A Paepalanthus magalhaesii cresce rente ao chão e lembra pequenos pompons entre as rochas. Exemplares foram encontrados em áreas entre Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto. A Coracoralina amoena vive em locais de solo fino, sol intenso e escassez de água durante parte do ano. A raridade dificulta tanto o monitoramento quanto a produção de conhecimento sobre seu ciclo de vida.

O trabalho integra um projeto de conservação desenvolvido por universidades, instituições de pesquisa e a Rede Propagar, com participação da Vale. Depois da coleta, as amostras seguem para laboratórios e coleções de referência. Os pesquisadores pretendem compreender a genética das espécies, testar formas de produzir mudas e avaliar, no futuro, a reintrodução em ambientes capazes de sustentar novas populações.

O reencontro não significa que as plantas estejam fora de perigo. Espécies com distribuição restrita podem desaparecer quando mineração, ocupação, incêndios ou mudanças climáticas alteram uma área pequena. A conservação exige proteger o habitat, acompanhar as populações e recuperar trechos degradados. Produzir mudas sem reconstruir as condições ecológicas adequadas não garante que elas sobrevivam depois do plantio.

Para a ciência, os registros mostram que levantamentos de campo ainda podem revelar espécies desconhecidas ou redescobrir plantas consideradas perdidas. O próximo passo será confirmar a identificação dos exemplares e construir protocolos de propagação. Esses dados também podem apoiar decisões sobre licenciamento, recuperação ambiental e proteção dos campos rupestres, um dos ambientes mais singulares e pressionados do Brasil.

Os campos rupestres concentram espécies adaptadas a condições extremas e exercem funções que vão além da paisagem, como proteção do solo e manutenção de relações entre plantas, insetos e outros organismos. Quando uma espécie desaparece, parte dessa rede ecológica pode ser afetada antes mesmo de sua função ser plenamente conhecida. Por isso, o registro científico e a conservação do ambiente precisam avançar em conjunto.

Com informações da Agência Brasil

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