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Quatro em cada dez mulheres brasileiras já fizeram apostas online ou continuam apostando, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento aponta que 20% jogam atualmente e 22% deixaram de apostar. Entre as que nunca utilizaram essas plataformas, 12% dizem sofrer consequências das apostas feitas por parentes ou amigos, elevando para 54% a parcela diretamente alcançada pelo problema.
O estudo Mulheres e Bets: o Custo das Apostas Online para as Brasileiras e suas Famílias ouviu 2.008 pessoas na etapa quantitativa e realizou 60 entrevistas qualitativas. A amostra incluiu moradores de todas as regiões e mulheres das classes C, D e E em oito estados, entre eles Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba. Os responsáveis afirmam que o objetivo foi observar também quem convive com apostadores.
As mulheres com filhos aparecem com maior frequência entre as apostadoras: 72% das participantes que apostam são mães. A pesquisa descreve um padrão no qual o jogo é apresentado menos como lazer e mais como tentativa de completar a renda, pagar contas ou oferecer bens aos filhos. Essa promessa de solução financeira convive com perdas, dívidas escondidas e cobrança social mais intensa sobre as mulheres.
Os impactos chegam às relações familiares. Entre todos os entrevistados, 23% disseram conhecer situação em que apostas contribuíram para violência dentro de casa. Sete por cento das apostadoras afirmaram ter buscado dinheiro com agiotas. O levantamento também encontrou uso noturno mais frequente entre mulheres e relatos de segredo, culpa, brigas e redução da capacidade de trabalhar ou gerar renda.
A publicidade e os mecanismos das plataformas aparecem como parte do problema. Setenta e nove por cento das mulheres perceberam aumento de conteúdos de apostas nas redes sociais depois do primeiro acesso. Uma em cada quatro acredita que habilidade ou estratégia pode determinar vitórias, percepção que cresce entre jogadoras frequentes, embora cassinos e jogos instantâneos sejam estruturados com vantagem econômica para a casa.
A pesquisa recomenda prevenção, restrição de publicidade, educação sobre risco e canais de acolhimento. Para famílias que enfrentam endividamento ou sofrimento mental, a orientação é buscar a rede de saúde e de assistência social, evitando novos empréstimos para cobrir perdas. O dado central não permite diagnosticar cada apostadora, mas evidencia que a discussão pública precisa incluir cuidado, renda, violência e proteção do consumidor.
O estudo também mostra apoio relevante a limites regulatórios: 62% das mulheres defendem a proibição dos jogos online, enquanto 41% aceitariam a operação das empresas sem publicidade. As respostas indicam demanda por medidas públicas mais firmes.
Com informações da Agência Brasil