8 de agosto de 2026
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Foto: TV Brasil/Divulgação

 

As convenções partidárias ficaram para trás. Os discursos foram feitos, os palanques montados e as alianças costuradas. O que falta ser remendado ou costurado tem agora poucos dias. Mas os discursos já foram feitos. E sabemos que muitos são apenas retóricas. Outros exageros. Outros escondem seu verdadeiro significado. Agora começa a fase em que os candidatos tentarão convencer o eleitor de que possuem as melhores soluções para o Brasil e para o Ceará. Mas há uma pergunta que precisa ser feita desde já: qual será a verdadeira pauta desta eleição?

Se depender da população, o debate deveria estar muito distante das brigas pessoais, das disputas ideológicas vazias e das guerras travadas nas redes sociais. O povo brasileiro quer e precisa debater  aquilo que afeta sua vida todos os dias.

O brasileiro quer emprego com carteira assinada e salário digno. Quer oportunidades para os jovens e perspectivas para quem procura uma colocação no mercado de trabalho. Não basta anunciar crescimento econômico quando milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para pagar as contas no fim do mês.

A população também espera políticas públicas que garantam moradia digna. O déficit habitacional continua sendo um drama para milhares de famílias que vivem em condições precárias ou comprometem boa parte da renda com aluguel. O SUS mesmo sendo fundamental par ao povo pobre brasileiro é mal administrado nas esferas estadual e municipal.

Outra prioridade é o combate à fome. Embora programas sociais tenham reduzido parte da insegurança alimentar, ainda existem brasileiros que convivem diariamente com a dificuldade de colocar comida na mesa. Nenhum projeto de desenvolvimento será completo enquanto a fome continuar fazendo parte da realidade nacional.

A segurança pública também exige respostas concretas. O avanço das facções criminosas, a violência urbana e o crescimento dos índices de criminalidade desafiam governos em todo o país. No Ceará, a população convive há anos com episódios de violência que impactam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico.

Outra cobrança permanente é o combate à corrupção. Independentemente do partido que esteja no poder, a sociedade espera mais transparência, fiscalização rigorosa e punição efetiva para quem desvia recursos públicos. A sociedade já se posicionou contra as emendas PIX e o orçamento secreto e isso precisa ter um fim.  Afinal, cada real perdido em esquemas de corrupção representa menos investimentos em saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais.

Os serviços públicos também precisam ocupar o centro do debate. O eleitor quer transporte coletivo eficiente, atendimento de qualidade na saúde, escolas estruturadas, acesso à cultura, ao esporte e ao lazer. São políticas que promovem cidadania e reduzem desigualdades.

No mundo do trabalho, uma pauta ganha cada vez mais espaço: o fim da escala 6 por 1. Trabalhadores de diferentes categorias defendem uma jornada que permita maior equilíbrio entre trabalho, descanso e convivência familiar. O tema deixou de ser uma reivindicação restrita aos sindicatos e passou a integrar o debate nacional sobre produtividade, saúde mental e qualidade de vida.

E um fator fundamental no Brasil de hoje: a defesa da democracia. Não podemos mais aceitar políticos que se candidatam para dentro das estruturas do estado e com dinheiro público tentarem destruir essas estruturas com um discurso reacionário e negacionista. A experiência de uma tentativa de golpe em janeiro de 2023 é suficiente para o povo brasileiro perceber que falar contra o sistema eleitoral, falar contra as instituições com pretenso discurso inovador não passa de uma tentativa de tentar destruir nossa democracia. O povo brasileiro não concorda com esse discurso fácil e falacioso.

O Ceará também possui desafios próprios que precisam ser enfrentados com seriedade. A convivência com a seca, a violência e os grupos e facções criminosas, a geração de empregos no interior, o fortalecimento da agricultura familiar, a melhoria da infraestrutura regional, a universalização do saneamento básico e a redução das desigualdades entre a capital e o interior não podem ficar em segundo plano.

As eleições de 2026 representam uma oportunidade para discutir projetos de futuro, e não apenas estratégias eleitorais. O eleitor espera propostas consistentes, metas claras e compromisso com resultados. Mais do que slogans ou disputas de narrativas, a sociedade cobra soluções concretas para problemas antigos.

No fim das contas, a principal pauta desta eleição não pertence aos partidos nem aos candidatos. Ela pertence ao povo brasileiro. É a pauta do emprego, da renda, da moradia, da segurança, da saúde, da educação, da cultura, do transporte, do combate à corrupção, da valorização do trabalhador e da garantia de direitos.

Se esses temas ocuparem o centro da campanha, a democracia sairá fortalecida. Caso contrário, o risco é assistir a mais uma eleição marcada pelo excesso de confrontos políticos e pela escassez de respostas para quem mais precisa delas.

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