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Pesquisas revelam avanço das agressões contra professores nas escolas brasileiras
Uma reportagem exclusiva e importante feita pela BBC News Brasil serve para uma profunda reflexão da educação no Brasil e mostra o crescimento da violência contra professores nas escolas brasileiras, reunindo relatos de educadores que sofreram ameaças, agressões físicas e psicológicas durante o exercício da profissão.
O texto destaca o caso de uma professora da rede municipal de São Paulo que recebeu ameaças de morte do pai de um aluno e precisou ser afastada por problemas psicológicos. Também apresenta episódios de violência física, como um professor agredido por um estudante e uma professora que teve parte de um dedo amputado durante uma crise de desregulação de um aluno com deficiência.
Dados de pesquisas reforçam a gravidade do cenário: 65% dos professores afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão no ambiente escolar, sendo a violência verbal a mais frequente. Segundo a OCDE, o Brasil lidera o ranking de violência contra professores entre 55 países pesquisados.
Especialistas apontam que o problema vai além das agressões praticadas por alunos e familiares. A falta de estrutura nas escolas, especialmente para a inclusão de estudantes com deficiência, a precariedade das condições de trabalho e a desvalorização da profissão também são formas de violência enfrentadas pelos educadores.
Isso mostra que o impacto na saúde mental é significativo, com aumento de casos de burnout, depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, resultando em milhares de afastamentos do trabalho.
Além dos relatos de casos extremos, a violência contra professores no Brasil é confirmada por pesquisas nacionais e internacionais que apontam um cenário de crescente insegurança nas escolas.
Uma pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP), realizada com 1.144 professores, revelou que 65% dos educadores afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou no ambiente escolar. Entre os tipos de violência registrados, 71% são agressões verbais, 58% psicológicas ou morais, 27% institucionais — relacionadas à falta de apoio da gestão ou das condições de trabalho — e 19% físicas. O levantamento também mostra que 74,4% dos professores não se sentem seguros dentro da sala de aula.
No cenário internacional, o Brasil aparece como o país com o maior índice de professores que relatam sofrer intimidação ou abuso verbal por parte de alunos. Dados da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS 2024), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que 46,6% dos docentes brasileiros afirmam que a intimidação e os abusos verbais praticados por estudantes são uma importante fonte de estresse, enquanto a média dos 55 países pesquisados é de aproximadamente 18%. A pesquisa ouviu cerca de 280 mil professores e diretores de escolas em todo o mundo.
Os impactos dessa violência também são percebidos na saúde dos profissionais. Somente na rede estadual paulista, em 2024, foram concedidas mais de 42 mil licenças médicas por transtornos mentais e comportamentais a professores, média superior a 115 afastamentos por dia. Até setembro de 2025, o número já ultrapassava 25 mil licenças por problemas relacionados à saúde mental.
Outro levantamento, realizado pelo Observatório Nacional da Violência contra Educadoras e Educadores (ONVE/UFF) com 3.012 profissionais da educação, constatou que a violência vai além das agressões físicas e verbais. O estudo identificou que 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior afirmam já ter sofrido perseguição, censura, intimidação, exposição nas redes sociais ou assédio jurídico em razão da profissão.
Especialistas afirmam que o problema é resultado de uma combinação de fatores, como a precarização das condições de trabalho, a insuficiência de profissionais para atender alunos com deficiência, a fragilização da autoridade docente, conflitos entre escola e famílias e a crescente desvalorização social da profissão. Segundo psicólogos e pesquisadores, esse ambiente favorece o aumento de casos de burnout, ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, tornando os professores uma das categorias profissionais com maior índice de afastamentos por problemas de saúde mental.
Entre as propostas para enfrentar o problema estão o fortalecimento das políticas de prevenção à violência, melhores condições de trabalho, ampliação do suporte às escolas e maior aproximação entre comunidade, famílias e instituições de ensino.
O problema é a dificuldade de no Brasil se debater educação pública com seriedade. Uma parte da classe política, principalmente no Congresso Nacional está mais preocupada com as emendas PIX e a manutenção de seus mandatos do que debater de forma democrática e ampla os problemas da educação pública e encontrar soluções viáveis. O Brasil precisa urgentemente de um debate nacional sobre como a educação pública pode ser aliada para um Brasil em um futuro de desenvolvimento e crescimento.
Pois, atualmente muitos “gestores” preferem lançar práticas de privatização simulada da educação pública do que encarar de forma séria como gerir a educação pública e ela ter qualidade no Brasil.
É mais fácil para esses gestores entregar para a iniciativa privada recursos e responsabilidades que devem ser apenas do poder público. Hora do brasileiro comum acordar para o fato de que se a educação não está boa, em grande parte é por conta do péssimo voto do eleitor brasileiro que coloca em lugares importantes e estratégicos pessoas sem nenhuma capacidade. E isso acaba prejudicando a educação no Brasil.
Com informações de Leia Sempre Brasil