
Imagem: Angelo Miguel/Ascom MEC
Universidades federais têm até sábado, 1º de agosto, para solicitar a implantação de cuidotecas em seus campi. A chamada UniCuidotecas pretende selecionar até 50 instituições para oferecer acolhimento gratuito a crianças de 3 a 12 anos durante o período noturno.
O atendimento será destinado a filhos de estudantes, docentes, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados que estudem ou trabalhem no campus à noite. As unidades também poderão funcionar em fins de semana, feriados e férias, conforme a organização de cada instituição.
Cada cuidoteca poderá receber até 40 crianças simultaneamente. O governo federal financiará implantação e custeio por 12 meses, enquanto a universidade deverá disponibilizar espaço físico adequado. Instituições com vários campi precisam indicar uma única unidade, priorizando o local de maior demanda.
Os recursos poderão pagar mobiliário infantil, equipamentos de acessibilidade e segurança, materiais lúdicos, alimentação, limpeza e profissionais como pedagogos e agentes de cuidados. Reformas estruturais de grande porte não estão autorizadas pela chamada.
A proposta integra o Plano Nacional de Cuidados e é conduzida pelos ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social. O foco noturno responde a uma barreira que atinge principalmente mulheres responsáveis por crianças e pode levar à evasão ou impedir acesso ao ensino superior.
Para concorrer, reitorias devem apresentar plano de trabalho, termo de compromisso, plantas, fotografias e dados sobre a comunidade noturna. No Ceará, a adesão das universidades e a escolha dos campi deverão ser acompanhadas para que a demanda regional seja considerada.
A dimensão nacional da medida exige atenção à forma de implementação e aos públicos realmente alcançados. Anúncios federais só se convertem em resultado quando regras, recursos, prazos e responsabilidades ficam claros e podem ser acompanhados pela sociedade.
As cuidotecas podem reduzir uma barreira concreta à permanência estudantil, sobretudo para mulheres que concentram responsabilidades de cuidado. Para produzir resultado, cada proposta precisa definir horário, faixa etária atendida, equipe, segurança e articulação com a assistência estudantil. Também será importante acompanhar quais universidades cearenses apresentaram pedido e quantas vagas serão oferecidas. A política deve complementar, e não substituir, a expansão de creches públicas e outras medidas que repartam o trabalho de cuidado entre Estado, famílias e comunidade. A divulgação dos campi selecionados permitirá conferir a distribuição regional do investimento.
O próximo passo verificável é acompanhar as providências e os prazos informados pelas instituições responsáveis. A cobertura deve distinguir decisões já formalizadas de promessas, hipóteses ou etapas ainda pendentes, preservando o contraditório e corrigindo o quadro caso surjam novos documentos.
Com informações do Opinião CE