Histórico! Lula vira eleição, bate Flávio Bolsonaro e é reeleito para quarto mandato

Em um movimento histórico de virada, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República para o quarto mandato, com mais de 51% dos votos válidos, após ser derrotado no primeiro turno para o senador Flávio Bolsonaro (PL). A virada de segundo turno nunca acontecera desde a redemocratização do país, a partir das eleições de 1989. A eleição consolida uma trajetoria que atravessa mais de cinco décadas da história brasileira, das greves operárias do ABC paulista ao Palácio do Planalto.
Com a vitória, Lula promete dar continuidade ao processo de reconstrução nacional iniciado em 2023, com a ampliação das políticas de inclusão social, a retomada dos investimentos públicos e o estímulo ao crescimento econômico.
Das fábricas ao Planalto
Nascido em Garanhuns, em Pernambuco, Lula migrou ainda criança com a família para São Paulo. Torneiro mecânico, iniciou sua trajetória pública no movimento sindical. Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, cargo para o qual foi reeleito em 1978.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e, posteriormente, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Também foi uma das principais lideranças da campanha Diretas Já, em 1984. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal constituinte com a maior votação do país, participando do processo que levou à Constituição de 1988.
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor no segundo turno. Também concorreu em 1994 e 1998, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso. A primeira vitória veio em 2002, em uma eleição marcada por uma ampla articulação política que incluiu o empresário José Alencar como candidato a vice-presidente.
Os programas sociais e os investimentos dos primeiros governos
O primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006, teve como uma das principais marcas a criação e a consolidação de políticas de combate à fome e à pobreza. O Fome Zero reuniu iniciativas voltadas à segurança alimentar, enquanto o Bolsa Família unificou programas de transferência de renda e ampliou o atendimento a famílias de baixa renda.
O benefício chegou a atender 11 milhões de famílias naquele período, com prioridade para que o pagamento fosse feito em nome das mulheres. O governo também adotou medidas de valorização do salário mínimo e de expansão do crédito, buscando estimular o consumo e reduzir desigualdades.
Na economia, a administração quitou antecipadamente a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e acumulou reservas internacionais.
O segundo mandato, entre 2007 e 2010, foi marcado por grandes projetos de infraestrutura. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) reuniu obras em diferentes áreas, enquanto o Minha Casa, Minha Vida ampliou a oferta de moradias populares. O programa Luz para Todos levou energia elétrica a comunidades e propriedades rurais que não tinham acesso ao serviço.
Na educação, o Programa Universidade para Todos (Prouni) ampliou o acesso ao ensino superior privado por meio de bolsas de estudo, e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) facilitou o ingresso de estudantes em instituições particulares. O período também foi marcado pela criação de universidades federais e escolas técnicas.
Na saúde, o Brasil Sorridente ampliou o acesso ao atendimento odontológico. Na política externa, o governo fortaleceu a articulação com países da América Latina e ampliou a participação brasileira em fóruns internacionais, incluindo o Mercosul e o BRICS.
Lula encerrou o segundo mandato com índices elevados de aprovação popular, segundo pesquisas realizadas à época.
O terceiro mandato e a retomada de políticas públicas
O retorno de Lula à Presidência, em 2023, teve como uma das prioridades declaradas a reconstrução de políticas públicas e a retomada de programas sociais. O governo também restabeleceu mecanismos de participação social e conferências nacionais.
Na área econômica, o Novo PAC foi lançado para reunir investimentos em infraestrutura. O Bolsa Família voltou a ter valor mínimo de R$ 600, acrescido de benefícios adicionais para públicos específicos, e o governo criou o Brasil Sem Fome para enfrentar a insegurança alimentar.
O Minha Casa, Minha Vida foi retomado com a meta de contratar e entregar novas unidades habitacionais. O programa Pé-de-Meia, por sua vez, passou a oferecer incentivos financeiros a estudantes do ensino médio para estimular a permanência na escola e reduzir a evasão.
Na saúde, o Farmácia Popular ampliou a gratuidade dos medicamentos incluídos no programa. Na área ambiental, o governo destacou ações de combate ao desmatamento, reforço da fiscalização e ampliação de áreas de conservação, além de iniciativas relacionadas à política climática.
O Novo PAC também reuniu investimentos em segurança hídrica, com obras ligadas à transposição do Rio São Francisco, canais, adutoras e cisternas.
Os desafios do novo mandato
Com a reeleição, Lula terá de transformar a promessa de continuidade em novas entregas. Entre as prioridades indicadas no texto de campanha estão a ampliação dos investimentos em infraestrutura, a implementação da reforma tributária, o fortalecimento da educação e da saúde públicas e a criação de oportunidades de emprego e renda.
O presidente também sinalizou a possibilidade de criar uma versão universitária do Pé-de-Meia, com depósitos mensais de R$ 700 durante 12 meses. A proposta e seus detalhes deverão ser confirmados antes da publicação.
A nova etapa do governo também dependerá da capacidade de articulação com o Congresso e de sustentação política para implementar as medidas anunciadas.
Da liderança sindical à Presidência da República, Lula construiu uma trajetória associada à expansão de programas sociais e à projeção internacional do Brasil. No quarto mandato, a promessa é aprofundar essa agenda, com foco no crescimento econômico, na redução das desigualdades e na ampliação dos serviços públicos.