CNBB orienta eleitores a avaliar candidatos e reforça defesa da democracia

Em nota sobre o segundo turno das eleições deste ano que acontece no próximo domingo, 25, os bispos católicos brasileiros defendem a Constituição, a soberania nacional e o respeito ao resultado das urnas. Manifestação ocorre após controvérsia eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida e acusações de disseminação de informações falsas.
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, na última quarta-feira, 21, uma nota sobre o segundo turno das eleições, convocando os brasileiros a refletir sobre a trajetória dos candidatos, suas práticas políticas e seus compromissos com a democracia antes de decidir o voto. A manifestação reforça a importância da participação cidadã, da defesa da Constituição e do respeito aos resultados legítimos das urnas.
Ao se posicionar sobre o processo eleitoral, a entidade religiosa também destaca que o Brasil precisa de políticas públicas capazes de assegurar direitos fundamentais, como trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança. A mensagem relaciona a escolha dos representantes políticos à responsabilidade de construir um país comprometido com o bem comum e a dignidade humana.
“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam”, afirma o documento.
A nota também faz referência à fé católica ao pedir a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e conclamar os eleitores a superar a indiferença diante das decisões que afetam o futuro do país.
A posição da CNBB tem relevância no debate público por associar a participação eleitoral a princípios democráticos e à garantia de direitos sociais. Sem indicar apoio a uma candidatura específica, a entidade propõe que os eleitores considerem não apenas os discursos de campanha, mas também a atuação e os compromissos demonstrados pelos candidatos ao longo de suas trajetórias.
As manifestações da Igreja Católica durante o período eleitoral não se limitaram à nota do Conselho Permanente da CNBB. Em celebração realizada em 7 de setembro, no Santuário Nacional de Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes defendeu a soberania brasileira e destacou a necessidade de considerar o bem comum na escolha dos representantes políticos.
“Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui. Aqui é nossa casa, nossa pátria”, declarou.
A fala colocou em evidência temas como autonomia nacional, responsabilidade política e participação popular, questões que também integram o debate sobre os rumos econômicos, sociais e institucionais do país.
No dia anterior, Dom Adair Guimarães, bispo da Diocese de Formosa, fez declarações de caráter político durante uma celebração religiosa. Ele afirmou que o Brasil não viveria uma “democracia plena”, mencionou o que chamou de “presos políticos” e pediu a intercessão de Nossa Senhora pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
As declarações mostram que diferentes integrantes da hierarquia católica têm participado do debate público a partir de avaliações distintas sobre a situação política brasileira. Essas manifestações, embora partam de autoridades religiosas, também entram no campo da discussão política e podem ser examinadas à luz dos fatos, dos argumentos apresentados e dos princípios constitucionais.
A nota da CNBB recoloca em discussão uma questão central para o funcionamento da democracia: a escolha dos governantes envolve não apenas preferências individuais, mas também decisões sobre direitos, políticas públicas e o respeito às instituições.
Ao defender a Constituição, o Estado Democrático de Direito e a legitimidade das urnas, os bispos ressaltam que o processo eleitoral precisa ser acompanhado de responsabilidade cívica e respeito à vontade popular.
A orientação para que os eleitores avaliem a trajetória e as práticas dos candidatos também reforça a importância de confrontar promessas com ações concretas, examinar propostas e considerar seus possíveis efeitos sobre a população.
Em uma eleição marcada por disputas intensas e controvérsias envolvendo religião, soberania e democracia, a participação consciente dos cidadãos permanece essencial. O resultado das urnas deve ser respeitado, e as divergências políticas precisam ser enfrentadas dentro das regras constitucionais, sem desinformação ou ataques à legitimidade do processo democrático.
PARA PENSAR
Você acha correto os bispos católicos pedirem mais democracia e respeito às instituições no processo eleitoral brasileiro? É genuína a preocupação com a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro?