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Celso Rocha de Barros: Flávio Bolsonaro esconde dos eleitores o custo de seu programa econômico

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Crédito: Reprodução/Instagram/@revistapiaui

As promessas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa presidencial de 2026 são questionadas pelo sociólogo Celso Rocha de Barros, da Folha de S.Paulo. Em artigo intitulado “Flávio está mentindo sobre teu dinheiro”, ele afirma que o senador apresenta aos eleitores um ajuste fiscal sem sacrifícios, enquanto setores ricos que o apoiam esperariam medidas que atingiriam os direitos sociais.

Barros critica as propostas defendidas por Daniella Marques e Adolfo Sachsida, escolhidos por Flávio para apresentar suas ideias econômicas. Segundo o colunista, o programa promete reduzir impostos, incentivar pequenos negócios e apoiar o empreendedorismo feminino sem explicitar como essas medidas seriam financiadas.

“Só prometem bondades: um ajuste fiscal grande e completamente indolor, sem cortes de salários, aposentadorias, programas sociais, benefícios fiscais para os ricos”, escreve.

Para o articulista, as promessas são incompatíveis com um ajuste fiscal de grandes proporções, sobretudo quando também incluem redução de tributos e novos incentivos econômicos.

Barros relaciona a alta da Bolsa e a queda do dólar após Flávio terminar o primeiro turno na liderança à expectativa de investidores de que o programa econômico executado seria diferente daquele apresentado publicamente.

“Eram os ricos brasileiros apostando que Daniella Marques e Adolfo Sachsida estão mentindo, e que o programa verdadeiro, a ser implementado por ministros completamente diferentes, são os cortes que a turma de Flávio defende nas festas de rico (com ou sem roupa) que frequentam”, afirma.

O colunista também questiona a referência do senador ao presidente argentino Javier Milei como inspiração para um eventual governo. Segundo sua análise, o discurso contra desperdícios e fraudes pode esconder medidas mais amplas de redução de gastos públicos.

“Para os ricos bolsonaristas, ‘Milei’ quer dizer algo completamente diferente: motosserra nos salários e nas aposentadorias, como aconteceu na Argentina”, escreve.

O argumento central é que os eleitores precisam saber quais despesas seriam cortadas e quem pagaria a conta de um eventual ajuste fiscal.

Experiência de Bolsonaro serve de alerta

O artigo recupera ainda um episódio da campanha presidencial de 2018. Durante uma panfletagem em apoio a Fernando Haddad, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, Barros conta que conversou com uma mulher evangélica que trabalhava no serviço público e acreditava que Jair Bolsonaro, por sua trajetória militar, favoreceria os servidores.

Segundo o colunista, os salários do funcionalismo público não foram reajustados durante o governo Bolsonaro. Ele usa o episódio para questionar a confiança depositada nas promessas eleitorais e a capacidade dos cidadãos comuns de cobrar compromissos dos governantes.

“Ao contrário dos ricos que então ouviam os planos de Guedes em reuniões reservadas, a evangélica da Quinta da Boa Vista não tinha como ligar para o Planalto cobrando. Você terá?”, questiona.

Barros também compara o que considera promessas eleitorais enganosas aos casos de Fernando Collor e Dilma Rousseff, ambos afastados da Presidência por impeachment. Sobre Flávio, faz uma crítica política contundente ao questionar seu compromisso com a democracia e com a prestação de contas à população.

Na conclusão, o colunista afirma que o senador tem liberdade para defender suas propostas, mas não para ocultar dos eleitores as consequências das medidas que pretende adotar.

“Flávio Bolsonaro pode defender o programa econômico que achar melhor. Mas não pode passar os brasileiros para trás como Jair passou para trás o piquenique de mulheres evangélicas”, conclui.

fonte: Brasil247