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Bispos e CNBB criticam ataques a símbolos católicos e defendem respeito a Nossa Senhora Aparecida

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e integrantes do episcopado brasileiro vêm manifestando preocupação com episódios envolvendo ataques, destruição e desrespeito a imagens religiosas católicas, em um cenário marcado também pela utilização política de símbolos da fé durante o período eleitoral.

A discussão ganhou maior repercussão nas últimas semanas após a circulação de informações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e à disputa eleitoral de 2026. A CNBB afirmou publicamente que não produziu, autorizou ou participou da divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral e rejeitou qualquer associação da entidade com estruturas partidárias ou candidaturas.

Segundo a entidade, suas manifestações durante o período eleitoral decorrem de sua missão pastoral e de princípios relacionados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência. A CNBB também declarou que repudia a produção e utilização de informações falsas, independentemente de quem possa ser beneficiado ou prejudicado.

O debate ganhou outra dimensão depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, em 30 de setembro, que a Polícia Federal investigue relatos de uma aparente onda de ataques contra imagens religiosas católicas.

Segundo informações apresentadas pelo ministro, foram recebidas denúncias sobre episódios ocorridos em diferentes partes do país nos últimos meses. Os relatos incluem destruição de imagens e ocorrências em igrejas, paróquias e outros locais relacionados à prática religiosa.

A investigação deverá verificar individualmente os fatos e suas circunstâncias. Entre as possibilidades mencionadas na decisão estão crimes como vilipêndio de objeto de culto, ameaça, injúria com elemento religioso, incêndio e violação de domicílio.

Nossa Senhora Aparecida acabou sendo colocada no centro de uma disputa política nas redes sociais depois da circulação de conteúdos sobre uma suposta proposta para retirar dela o título de Padroeira do Brasil. Essa proposta aliás existe e foi derrubada em 2009. Mas o autor, ex-deputado Victório Galli ligado politicamente ao bolsonarismo em entrevista nesta semana afirmou sim que é favorável a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

A CNBB negou ter participado da disseminação da informação de que Flávio Bolsonaro queria fazer o mesmo que tentou Victório Galli e reafirmou que não dissemina fake news.  A resposta da CNBB chamou a atenção dos católicos para  os ataques promovidos contra templos e e imagens católicas Brasi afora. E acendeu um certo alerta na comunidade católica que começou a divulgar vídeos mostrando pastores neopentecostais atacando Nossa Senhora, e essas imagens e vídeos proliferam nas redes sociais.

O episódio provocou também decisões na Justiça Eleitoral e discussões sobre os limites entre liberdade de expressão, propaganda eleitoral e divulgação de informações falsas.

A posição apresentada pela CNBB está inserida em uma atuação mais ampla dos bispos brasileiros em defesa da paz, do pluralismo religioso e do respeito à dignidade humana.

Em abril de 2026, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada no Santuário Nacional de Aparecida, os bispos destacaram a necessidade de promover a paz e o pluralismo religioso no Brasil. A entidade também afirmou que a Igreja deve permanecer próxima das alegrias, esperanças, dificuldades e sofrimentos da população.

Nesse contexto, os episódios envolvendo Nossa Senhora Aparecida mostram como símbolos religiosos podem ocupar espaço no debate público, especialmente em períodos eleitorais. Para a Igreja, a liberdade religiosa pressupõe também respeito às manifestações de fé e às diferentes tradições existentes na sociedade brasileira.

A controvérsia também reacende uma discussão sobre o uso político da religião. De um lado, candidatos e grupos políticos podem manifestar suas convicções religiosas; de outro, a liberdade de crença não elimina o dever de respeitar outras tradições e símbolos religiosos.

A CNBB tem defendido, em diferentes manifestações, uma participação cidadã baseada na consciência, na responsabilidade, no diálogo e no respeito ao pluralismo. A entidade também alerta contra a utilização da fé como instrumento de manipulação eleitoral.

No caso de Nossa Senhora Aparecida, além da dimensão religiosa para milhões de brasileiros, existe uma dimensão histórica e cultural: o título de Padroeira do Brasil integra a tradição católica brasileira e está diretamente relacionado ao Santuário Nacional de Aparecida.

Os relatos recentes de ataques a imagens religiosas ainda dependem de investigação das autoridades para determinar autoria, motivação e eventual conexão entre os diferentes episódios. O que está documentado, até o momento, é que a questão passou a ser tratada também no âmbito das instituições públicas, enquanto a Igreja Católica reafirma a necessidade de respeito aos símbolos religiosos e à liberdade de crença.