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A política das acusações: Flávio Bolsonaro, as mentiras e o caso de Nossa Senhora Aparecida

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Imagem: Jefferson Aguiar/Pera Photo Press/Estadão CConteúdo

Não é novidade para nenhum eleitor ou eleitora espalhados Brasil afora que Flávio Bolsonaro já soltou diversas mentiras públicas. Uma delas é que quando foi confrontado por um jornalista acerca de seu envolvimento com Vorcaro sua primeira palavra foi acusar o jornalista de mentiroso e militante. Adivinha quem estava mentindo?

Alguns casos documentados de mentiras do senador e presidenciável:

  1. Relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master
    Em março de 2026, Flávio afirmou que não conhecia o banqueiro Daniel Vorcaro. Posteriormente, foram divulgadas mensagens entre os dois, nas quais Flávio o tratava como “irmão” e “irmãozão”, além de registros de encontros. O Aos Fatos classificou a declaração anterior como mentira e documentou uma sequência de negativas sobre a relação.
  2. Financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro
    Em maio, Flávio negou que houvesse relação financeira relevante entre Vorcaro e o filme sobre seu pai. Posteriormente, mensagens e documentos revelaram contatos e negociações envolvendo o financiamento da produção. O Aos Fatos identificou ao menos 12 declarações anteriores de Flávio nas quais ele negava qualquer relação com o caso.
  3. Valor e data de pagamentos relacionados ao filme
    Flávio afirmou que o último pagamento de Vorcaro para o filme teria ocorrido em maio de 2025. Posteriormente, relatório do Coaf divulgado pela imprensa apontou uma transferência realizada em 16 de setembro de 2025, contrariando a cronologia apresentada pelo senador.
  4. Depois que foi divulgada uma fotografia de Flávio com Sicário, apontado como ligado a Vorcaro, o senador afirmou que a imagem poderia ter sido produzida por inteligência artificial. Segundo o Aos Fatos, não havia evidência que sustentasse essa afirmação.
  5. “Eu vou fazer o diabo para me eleger” — atribuição a Lula. Flávio afirmou em maio de 2026 que Lula teria dito “eu vou fazer o diabo para me eleger”. A checagem do Aos Fatos concluiu que Lula não fez essa declaração. A frase semelhante foi dita por Dilma Rousseff, em 2013, em outro contexto, ao falar sobre disputas eleitorais.
  6. Durante manifestações de 7 de Setembro de 2025, Flávio declarou: “Não existe anistia criminal sem anistia eleitoral. A nossa Constituição é muito clara.” O Aos Fatos classificou a afirmação como falsa: a Constituição não prevê uma categoria de “anistia eleitoral” nos termos apresentados por ele, e os efeitos penais e eleitorais são juridicamente distintos.
  7. Declarações sobre André Mendonça e o caso Master
    Em setembro de 2026, Flávio afirmou que Mendonça investigava “tudo, todo mundo, com transparência” e que divulgava as informações à imprensa e ao público. O Aos Fatos apontou que a abertura do sigilo ocorreu de forma parcial e após solicitação de Edson Fachin, além de registrar a controvérsia entre ministros sobre documentos que continuavam sob sigilo.
  8. “Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público”
    Em setembro de 2026, Flávio fez essa afirmação sobre a produção cinematográfica. O Aos Fatos classificou-a como falsa, porque a Polícia Federal investigava justamente se recursos provenientes de emendas parlamentares haviam abastecido o projeto. Isso significa que a existência ou não de dinheiro público era uma questão sob investigação, e não algo que pudesse ser afirmado categoricamente como inexistente.
  9. Agora Flavio Bolsoanro acusa membros da Conferência Nacional de Bispos do Brasil de terem participado da disseminação de informações falsas relacionadas a Nossa Senhora Aparecida. Durante uma agenda de campanha em Aracaju (SE), Flávio afirmou que o boato de que haveria uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil teria sido impulsionado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com a ajuda de pessoas ligadas à CNBB. Segundo o candidato, não existe atualmente projeto em tramitação no Congresso com o objetivo de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Também não existe nenhuma evidência ou participação de alguém da CNBB nesse caso, já que o estopim foi quando uma jornalista da Globo, Maria Cristina Fernandes, comentarista da GloboNews e  do Valor Econômico, em um episódio do  programa Em Pauta, na noite de 24 de setembro de 2026, afirmou, durante uma análise sobre a disputa eleitoral e o eleitorado religioso, que existiria um movimento dentro da Igreja Católica em reação a uma parcela de políticos evangélicos que estaria mobilizando um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. Também disse que isso poderia ter efeito eleitoral favorável a Lula entre os católicos. O ponto central da controvérsia é que o projeto mencionado não era atual. Tratava-se do PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha alterar a referência a Nossa Senhora Aparecida na legislação relativa ao feriado de 12 de outubro. A proposta foi arquivada pela Câmara em agosto de 2008. O que a jornalista fez foi falar de um sentimento de parte do clero católico brasileiro.

É bom lembrar que essa tentativa já ocorreu quando a bancada evangélica não tinha 50 parlamentares. A jornalista não acusou a campanha de Flávio.

 

CNBB nega participação em informações falsas

A CNBB divulgou uma nota na noite de domingo, 27,  e negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.

A entidade também afirmou que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas. Segundo a CNBB, suas manifestações durante as eleições são baseadas em sua atuação pastoral e em princípios relacionados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência.

Na nota, a conferência afirmou ainda que atribuir à instituição participação na produção ou disseminação de desinformação sem fatos e provas atinge a entidade. A CNBB declarou que reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.

Boato ganhou força nas redes sociais

A controvérsia começou após circular nas redes sociais a informação de que políticos de extrema-direita teriam intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro negou a informação na sexta-feira (25), quando publicou um vídeo afirmando que não havia intenção de promover a mudança. A discussão, porém, continuou nas redes sociais e passou a envolver a atuação da Justiça Eleitoral.

O caso também foi relacionado a uma informação apresentada durante o programa Em Pauta, da GloboNews, sobre uma suposta mobilização de setores evangélicos contra o título concedido a Nossa Senhora Aparecida. Depois, a emissora publicou uma correção esclarecendo que o projeto citado havia sido apresentado em 2007 e arquivado em 2008.

 

Projeto citado é de 2007 e foi arquivado

 

O Projeto de Lei 2.623/2007 foi apresentado pelo então deputado Professor Victorio Galli. A proposta pretendia alterar a legislação para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

A tramitação ocorreu em 2008, quando o projeto recebeu parecer pela rejeição na Comissão de Educação e Cultura. Em 22 de agosto daquele ano, a Câmara dos Deputados registrou o arquivamento da proposta.

O texto, portanto, não corresponde a um projeto atualmente em análise no Congresso. O histórico da Câmara também registra que a proposta não foi apresentada por Flávio Bolsonaro nem por seus filhos.

 

É bom lembrar, entretanto, que esse texto pode voltar a tramitar, basta um deputado dar entrada e protocolar o projeto com novo número.

 

Decisões do TSE e do STF entram no caso

Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado, em decisão liminar, a remoção de publicações que associavam a família Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

Entre os conteúdos atingidos estava uma publicação do humorista Antonio Tabet. Mendonça considerou que a permanência das publicações poderia ampliar os efeitos da narrativa considerada falsa.

Neste domingo (27), porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da decisão e determinou a restauração da publicação de Tabet. Na decisão, Dino citou a proteção à liberdade de expressão e o caráter excepcional da intervenção estatal sobre a divulgação de opiniões e informações.

 

Fonte: UOL, Poder360, Agenda do Poder, G1 e outros