Intersindical apoia reeleição de Lula e vincula decisão à defesa da democracia, da soberania e dos direitos trabalhistas

A Intersindical — Central de Luta e Organização da Classe Trabalhadora — decidiu indicar o voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. A posição foi apresentada pela direção nacional da central no contexto de sua análise da conjuntura política e econômica internacional e brasileira.
Segundo a Intersindical, a decisão está relacionada à necessidade de enfrentar o avanço da extrema direita e preservar condições para a organização e a mobilização dos trabalhadores. A central, entretanto, deixa claro que a indicação de voto em Lula não representa apoio integral ao seu governo. Em documento divulgado em agosto, a entidade afirma que pretende manter uma postura de cobrança e enfrentamento diante de medidas que considerar contrárias aos interesses dos trabalhadores.
Na análise de conjuntura apresentada pela entidade, a disputa eleitoral brasileira está inserida em um cenário internacional marcado por mudanças geopolíticas, conflitos econômicos e disputa por recursos estratégicos, tecnologia, dados e mercados. A Intersindical também destaca o fortalecimento dos BRICS e a disputa entre diferentes projetos econômicos globais como elementos que, em sua avaliação, colocam a soberania nacional no centro do debate.
Nesse contexto, a central relaciona a defesa da soberania brasileira à necessidade de preservar setores estratégicos da economia, fortalecer a indústria nacional e ampliar a capacidade de planejamento e investimento do Estado. A entidade também aponta a necessidade de uma reindustrialização associada à geração de empregos e à transição tecnológica e ambiental.
No campo político interno, a Intersindical afirma que a eleição de Lula deve ser compreendida como uma forma de impedir o retorno da extrema direita ao comando do governo federal. A entidade faz referência ao processo eleitoral de 2022, quando também declarou apoio eleitoral a Lula, e sustenta que sua posição atual segue a mesma lógica.
A central, porém, estabelece uma distinção entre apoio eleitoral e apoio ao governo. O documento afirma que a entidade não possui “nenhuma ilusão” em relação ao governo de conciliação de classes e pretende continuar pressionando por mudanças nas políticas econômicas e trabalhistas. Entre as reivindicações estão a revogação das reformas trabalhista e da Previdência, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6×1.
A Intersindical também critica medidas adotadas durante o atual governo Lula e afirma que continuará cobrando mudanças consideradas necessárias para ampliar a proteção aos trabalhadores. Em outras manifestações, a entidade já apresentou críticas ao arcabouço fiscal e a políticas que, segundo sua avaliação, favorecem interesses do capital.
Dessa forma, o posicionamento da Intersindical combina duas estratégias: no processo eleitoral, indicar o voto em Lula como forma de enfrentar a extrema direita; e, após as eleições, manter a mobilização sindical e a pressão sobre o governo para garantir reivindicações trabalhistas.
Para a central, portanto, a eleição presidencial não encerra a disputa política. A orientação anunciada para 2026 é participar do processo eleitoral para impedir o avanço da extrema direita e, ao mesmo tempo, fortalecer a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho e nas ruas. Essa posição é apresentada pela entidade como parte de uma estratégia mais ampla de defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais e trabalhistas.