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Em quem o brasileiro confia em 2026? Datafolha mostra desconfiança elevada, mas também recuperação em várias instituições

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A relação dos brasileiros com as principais instituições do país continua marcada por desconfiança e baixa confiança, mas a pesquisa Datafolha realizada em setembro de 2026 mostra um cenário menos uniforme do que pode parecer à primeira vista. Enquanto a desconfiança aumentou no Supremo Tribunal Federal (STF), outros segmentos registraram estabilidade ou redução do descrédito em relação ao levantamento de março.

A pesquisa foi realizada entre 15 e 17 de setembro, com 2.001 pessoas em 125 municípios, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

STF chega a 48% de desconfiança

O dado de maior destaque é o do Supremo Tribunal Federal. Segundo o Datafolha, 48% dos entrevistados afirmam desconfiar da Corte, enquanto 35% dizem confiar um pouco e 14%, muito. O índice de desconfiança é o maior da série histórica iniciada em 2012.

Em março, 43% declaravam não confiar no STF. A mudança ocorre em meio à crise institucional envolvendo integrantes da Corte e às controvérsias que ganharam espaço no debate público durante o período da pesquisa.

O resultado, entretanto, não significa que a maioria da população declare desconfiança no Judiciário como um todo. Quando a pergunta é sobre o Poder Judiciário, 38% dizem desconfiar, 43% afirmam confiar um pouco e 17% dizem confiar muito.

Congresso e partidos continuam enfrentando desconfiança

O Congresso Nacional registra 45% de desconfiança. Já os partidos políticos também chegam a 45%.

No caso dos partidos, porém, houve uma mudança em relação a março: a desconfiança caiu de 52% para 45%. Ao mesmo tempo, a parcela que afirma confiar muito nos partidos passou de 5% para 9%.

O Congresso também apresentou aumento na confiança elevada: passou de 5% para 11% a parcela que afirma confiar muito na instituição. Isso mostra que os indicadores não podem ser analisados apenas pelo percentual de desconfiança: também houve crescimento da parcela que manifesta confiança intensa.

Deputados e senadores: distância entre eleitor e Legislativo

Outro levantamento Datafolha realizado em junho ajuda a dimensionar essa relação. 68% dos entrevistados disseram não saber ou não lembrar o nome de nenhum deputado federal em exercício, enquanto 75% não souberam ou não lembraram o nome de nenhum senador.

A relação com os governadores também apresenta uma distância significativa: 38% disseram não se lembrar em quem votaram para governador em 2022, enquanto 54% afirmaram lembrar. Para presidente, o índice de lembrança era de 85%.

Esses dados não medem diretamente confiança ou aprovação, mas ajudam a mostrar o grau de distanciamento entre parte do eleitorado e seus representantes legislativos.

Presidência: 42% de desconfiança

A Presidência da República aparece com 42% de desconfiança. Em março, eram 43%.

Ao mesmo tempo, cresceu a confiança elevada na instituição: de 22% para 25%. Outros 32% afirmam confiar um pouco.

É importante diferenciar esse indicador da avaliação do governo. Uma pessoa pode confiar na instituição Presidência da República e, simultaneamente, avaliar negativamente o governo que ocupa o cargo, ou o contrário.

Imprensa: confiança cresce, mas desconfiança permanece significativa

A imprensa apresenta 33% de desconfiança. Em março, eram 36%.

Por outro lado, a parcela que afirma confiar muito nos veículos de comunicação passou de 15% para 22%. Outros 44% dizem confiar um pouco.

O Datafolha identificou ainda diferenças por idade e escolaridade. A confiança elevada na imprensa aumenta entre os grupos etários mais velhos e diminui à medida que aumenta a escolaridade dos entrevistados.

O resultado mostra um cenário de confiança dividida, sem que seja possível resumir a relação dos brasileiros com a imprensa apenas ao percentual de desconfiança.

Forças Armadas

As Forças Armadas registram 25% de desconfiança. Em março, eram 27%.

Já a confiança elevada subiu de 26% para 34%, enquanto 39% afirmam confiar um pouco.

O resultado de setembro ocorre depois de um período em que a relação entre instituições militares e política esteve no centro do debate nacional. Mesmo assim, os números da pesquisa mostram redução do percentual de desconfiança em relação ao levantamento anterior.

Grandes empresas também apresentam melhora

Entre as grandes empresas brasileiras, 23% afirmam não confiar. Em março, o índice era de 26%.

A confiança muito elevada passou de 20% para 29%, enquanto 46% afirmam confiar um pouco.

O que mudou entre março e setembro?

A comparação entre os dois levantamentos revela um movimento importante: o STF foi a principal instituição a registrar aumento significativo da desconfiança, enquanto várias outras apresentaram redução do descrédito.

InstituiçãoDesconfiança em marçoDesconfiança em setembro
STF43%48%
Congresso45%45%
Partidos políticos52%45%
Presidência43%42%
Poder Judiciário36%38%
Imprensa36%33%
Grandes empresas26%23%
Forças Armadas27%25%

Os números são do Datafolha e estão sujeitos à margem de erro de dois pontos percentuais. Por isso, diferenças pequenas devem ser interpretadas como oscilações, e não necessariamente como mudanças efetivas na opinião da população.

E as igrejas e os líderes religiosos?

Há uma limitação importante para essa análise: a pesquisa Datafolha de setembro não incluiu igrejas ou líderes religiosos entre as instituições avaliadas. Portanto, não é possível colocar igrejas, padres, pastores ou outros líderes religiosos na mesma tabela utilizando os dados dessa rodada.

O mesmo vale para governadores, deputados e senadores individualmente. O levantamento de setembro não apresenta uma taxa nacional de confiança específica para essas categorias.

Para uma reportagem mais abrangente, esses segmentos precisam ser apresentados com outras pesquisas e outros períodos, deixando explícito que as metodologias e datas são diferentes.

Um país desconfiado, mas não de todas as instituições da mesma maneira

Os resultados de setembro desenham um quadro de desconfiança institucional relevante, mas também mostram movimentos de recuperação em alguns setores.

Partidos políticos, Congresso, Presidência, STF, Judiciário, imprensa, Forças Armadas e grandes empresas continuam convivendo com parcelas expressivas de brasileiros que declaram algum grau de desconfiança. Ao mesmo tempo, várias dessas instituições tiveram aumento na parcela que afirma confiar muito.

O caso do STF se diferencia porque a desconfiança aumentou de 43% para 48%, enquanto em outras instituições o movimento foi de estabilidade ou redução.

Mais do que apontar uma única instituição como “confiável” ou “não confiável”, a pesquisa mostra uma sociedade que mantém uma relação fragmentada com as instituições, na qual confiança, desconfiança e confiança parcial coexistem.

Para o debate eleitoral de 2026, esse dado é relevante porque ajuda a compreender o ambiente institucional no qual os eleitores estão tomando suas decisões: há insatisfação e desconfiança, mas também diferenças importantes entre instituições e mudanças em relação aos levantamentos anteriores.