Cobertura vacinal contra o HPV chega a 90,5% em nove municípios do Ceará acompanhados pelo Movimento Juntos contra o HPV

Dados apresentados no I Simpósio do Movimento mostram avanço de mais de 10 pontos percentuais entre janeiro e junho de 2026; encontro reuniu grandes nomes da saúde em Fortaleza
A cobertura vacinal contra o HPV nos municípios cearenses acompanhados pelo projeto Juntos contra o HPV avançou no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, os nove municípios com dados consolidados chegaram a uma cobertura combinada de 90,5%, ante 80% no início do ano, um crescimento de 10,5 pontos percentuais. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (18), durante o I Simpósio do Movimento Juntos contra o HPV: Resultados, Desafios e Perspectivas, realizado na Universidade Estadual do Ceará (UECE), em Fortaleza.
Considerando os dez municípios atendidos pelo projeto (Caucaia, Itapajé, Tejuçuoca, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba e São Luís do Curu), todos apresentaram crescimento no período. O recorte consolidado de nove municípios, sem Caucaia, já ultrapassa a meta combinada de 90% estabelecida para a cobertura vacinal. Cinco desses municípios já alcançaram, individualmente, a faixa de 90% de cobertura vacinal. São eles: São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, General Sampaio, Tejuçuoca e Paraipaba.
O desempenho apresenta diferenças entre os públicos. Entre as meninas, sete dos nove municípios atingiram ou se aproximaram dos 90% de cobertura vacinal, enquanto, entre os meninos, esse patamar foi alcançado ou se aproximou em quatro municípios. Os dados mostram que o avanço da vacinação entre as meninas é hoje o principal responsável pelo resultado agregado de 90,5%, enquanto a ampliação da cobertura entre os meninos permanece como o principal desafio para elevar ainda mais os índices.
A vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em 2026, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a estratégia para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos, permitindo que esse público complete o esquema vacinal até dezembro deste ano.
“Chegar neste patamar de cobertura vacinal mostra que estratégias articuladas entre gestão pública, profissionais de saúde, universidades e sociedade civil podem produzir resultados concretos. Ao mesmo tempo, os dados nos mostram onde precisamos avançar. O simpósio é esse espaço para olhar para os resultados, reconhecer os avanços e discutir os próximos passos”, destacou a Dra. Herla Maria Furtado Jorge, presidente do I Simpósio do Movimento Juntos contra o HPV.
Investimentos
Durante o simpósio, o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales, destacou os investimentos do governo federal no tratamento do câncer. Segundo ele, mais de R$ 2,2 bilhões serão destinados ainda este ano à assistência oncológica, com foco na ampliação do acesso a 23 medicamentos oncológicos de alto custo.
Mozart também apresentou números relacionados ao orçamento e à estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o secretário, o orçamento do sistema é de cerca de R$ 270 bilhões, enquanto a rede conta atualmente com aproximadamente 80 tomógrafos no país. Os dados foram apresentados no contexto da discussão sobre diagnóstico e tratamento do câncer.
I Simpósio do Movimento Juntos contra o HPV
A apresentação dos resultados integrou a programação do primeiro simpósio do Movimento, que reuniu gestores públicos, pesquisadores, profissionais da saúde, representantes de universidades e organizações nacionais e internacionais para discutir vacinação, prevenção, rastreamento e estratégias de eliminação do câncer do colo do útero.
A solenidade de abertura contou com a participação de representantes de diferentes setores envolvidos na política de prevenção e cuidado em saúde. Entre eles: a professora Dra. Saiwori de Jesus Silva Bezerra dos Anjos, representando a UECE; Rilson Sousa de Andrade, presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (COSEMS-CE); Danielle Moreira de Castro Lima, coordenadora-geral de Atenção às Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde; Dra. Ana Goretti Kalume Maranhão, pediatra do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde e responsável pela vacina contra o HPV; e Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde.
Também participaram da abertura Annette Reeves de Castro, cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil e vice-presidente do simpósio; Diana Cristina Silva de Azevedo, vice-reitora da Universidade Federal do Ceará (UFC); Dra. Herla Maria Furtado Jorge, presidente do I Simpósio do Movimento Juntos contra o HPV e docente da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab); Tânia Mara Silva Coelho, secretária da Saúde do Ceará; e Janete Vaz, cofundadora do Grupo Sabin e líder do Grupo Mulheres do Brasil no Distrito Federal.
A programação científica contou ainda com nomes ligados à pesquisa, imunização, oncologia e políticas públicas de saúde, incluindo representantes da Universidade de Oxford, UNICEF, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Ministério da Saúde e instituições de ensino e pesquisa.
Movimento Juntos Contra o HPV
Os dados apresentados no simpósio serviram como base para discutir os próximos desafios do Movimento Juntos contra o HPV, especialmente a manutenção das coberturas já alcançadas e a redução das diferenças entre os públicos vacinados.
Criado em 2022, em Recife, o Movimento Juntos contra o HPV surgiu a partir de uma iniciativa voluntária do Grupo Mulheres do Brasil voltada à educação e conscientização sobre o vírus. A iniciativa chegou ao Ceará em 2024 e passou a integrar as ações do projeto Unidos pela Eliminação do Câncer do Colo do Útero no Brasil, financiado pelo BNDES e pela Umane, com gestão do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
No Ceará, o movimento atua em 10 municípios — Caucaia, Itapajé, Tejuçuoca, Pentecoste, Apuiarés, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Paraipaba e São Luís do Curu – articulando poder público, instituições de ensino, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias em ações de vacinação, educação em saúde, rastreamento e mobilização social.