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“Feito Pipa” coloca o Ceará na corrida pelo Oscar e marca novo capítulo do cinema nordestino

O filme cearense Feito Pipa foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027.

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O cinema cearense alcançou um patamar histórico. “Feito Pipa”, longa-metragem dirigido pelo cineasta Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. É a primeira produção cearense selecionada para ocupar esse posto, colocando o audiovisual do Estado diante de uma das maiores vitrines do cinema mundial.

A escolha, anunciada nesta quarta-feira, 16, não significa que “Feito Pipa” já esteja indicado ao Oscar. O longa passa agora pela seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que definirá os filmes que avançarão na disputa até chegar aos cinco indicados à categoria. Ainda assim, representar oficialmente o Brasil já constitui uma conquista de grande dimensão para a cinematografia cearense.

Filmado em Quixadá, no Sertão Central, “Feito Pipa” leva para as telas uma história profundamente ligada ao Ceará. O roteiro, escrito por Allan Deberton e André Araújo, nasceu também de memórias da infância dos autores em Russas. A narrativa acompanha Gugu, interpretado pelo jovem Yuri Gomes, um menino que vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, e enfrenta mudanças familiares enquanto tenta preservar a relação com aquela que representa seu principal porto seguro. Lázaro Ramos integra o elenco como Batista, pai do garoto.

Mais do que uma produção realizada no Ceará, o longa apresenta ao público internacional paisagens, personagens, afetos e modos de vida do interior cearense. Essa dimensão talvez seja um dos aspectos mais relevantes de sua trajetória. O filme demonstra que histórias construídas longe dos grandes centros tradicionais da indústria audiovisual podem abordar questões universais sem abandonar sua identidade territorial.

A própria comissão responsável pela escolha brasileira destacou essa característica. Segundo a Academia Brasileira de Cinema, “Feito Pipa” combina uma narrativa capaz de dialogar universalmente com uma forte identidade brasileira, construída a partir de uma cidade do interior do Ceará. Família, infância, pertencimento, cumplicidade entre avó e neto e finitude estão entre os temas centrais da obra.

A chegada à corrida pelo Oscar não aconteceu isoladamente. “Feito Pipa” iniciou sua trajetória internacional no 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde conquistou o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus.

A trajetória internacional do longa oferece, portanto, um exemplo concreto de como mecanismos de financiamento e fomento podem contribuir para transformar projetos regionais em produções de circulação mundial.

Para o Ceará, chegar à corrida pelo Oscar significa ampliar a visibilidade de uma cinematografia que há anos vem conquistando espaço em festivais, salas de cinema e circuitos culturais. Também representa a possibilidade de estimular novos investimentos, formar profissionais, fortalecer produtoras independentes e incentivar jovens realizadores a contar histórias a partir de seus próprios territórios.

O desafio agora é internacional. Uma campanha pelo Oscar exige divulgação, distribuição e articulação no mercado norte-americano, além do reconhecimento artístico. Especialistas ouvidos pela imprensa têm apontado justamente a importância de uma estrutura de distribuição nos Estados Unidos para sustentar essa etapa da campanha.

Independentemente do resultado final da seleção da Academia norte-americana, “Feito Pipa” já inscreveu seu nome na história cultural do Ceará. Uma narrativa nascida no interior do Estado, filmada entre paisagens sertanejas e conduzida por personagens profundamente brasileiros passa agora a disputar atenção em escala mundial.

Com informações do Leia Sempre Brasil