5 de agosto de 2026
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É justa, relevante e necessária, ainda que bastante incômoda para uma parte da população da Grande São Paulo, a greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM em que o ‘Tarcisão da massa’ faz tudo errado. Ele sucateou, privatizou e retomou a companhia, para entregá-la novamente ainda em piores condições.

No mês passado, a explosão em um trem com passageiros da empresa foi a prova dramática do quanto é tosca e temerária a sua gestão no governo paulista. Não sabe administrar, não sabe vender, não sabe entregar – e reassume para estourar de uma vez com uma estatal estratégica que transporta 3 milhões de pessoas por dia.

Anunciada às pressas, ainda sob as chamas da explosão, a retomada da CPTM por Tarcísio e seus Patetas visa demitir 1,5 mil ferroviários e devolver a administração de três linhas da Zona Leste paulistana para a concessionária Trivia Trens. Um plano obscuro que tem na greve um protesto organizado, com 100% de adesão entre os ferroviários das três linhas privatizadas.

Ao longo do dia de hoje, os termos de contingenciamento determinados pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) foram cumpridos pelo Sindicato dos Ferroviários da Zona Central do Brasil. A população encontrou portões de acesso fechados nas linhas 11, 12 e 13, provocando aglomerações em outras estações do sistema integrado com o Metrô. Nenhum protesto popular contra a greve foi registrado. O povo entendeu o movimento e vê em Tarcísio o maior provocador do caos.

A Grande São Paulo tem um povo acostumado à luta. Nos anos 1970 e 1980, abriu alas para redemocratização do Brasil a partir de milhares de greves e mobilizações populares, das primeiras assembleias de dezenas de milhares de pessoas no movimento contra a carestia às greves históricas do ABC. A população sabe distinguir movimentos com ou sem justificativa.

A mídia tradicional sempre criminalizou os movimentos grevistas, por mais que tivessem argumentos econômicos e trabalhistas sólidos. Desta vez, com a greve da CPTM, não é diferente. Caso soubesse cobrir com respeito os movimentos populares e sindicais do País, talvez não tivesse entrado na crise terminal em que se encontra.

Dar marteladas destrambelhadas e executar planos nefastos de privatização, que mal consegue cumprir sem promover confusão, podem não salvar o governador de um julgamento popular rigoroso nas urnas de outubro. A adesão e, especialmente, a compreensão popular sobre a greve setorial da CPTM merecem ser vistas como um indicativo de que grandes bases populares podem ser mobilizadas por um projeto de uma melhor gestão no governo de São Paulo.

O paradoxo é que não vai bastar atacar a incompetência administrativa e as más intenções políticas de Tarcísio para tirá-lo do governo de São Paulo e encerrar seu nefasto ciclo administrativo. É preciso apresentar-se como alternativa real e viável, crível, para retomar as rédeas do estado. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, reúne todas as condições para exercer esse protagonismo.

Quanto mais Haddad mostrar as suas realizações na administração da coisa pública, nos ministérios da Educação, da Fazenda e na Prefeitura de São Paulo, tanto mais ele soma chances de furar a bolha anti-PT. Haddad é muito mais do que um reconhecido professor universitário. É um dos melhores executivos públicos da sua geração. A sua política econômica, como ministro da Fazenda, trouxe o País a uma situação de pleno emprego.

O programa de governo que a candidatura deve apresentar a São Paulo no decorrer das eleições, aliado à maior apresentação do perfil executivo do candidato, pode mudar os indicadores apurados até aqui pelas pesquisas de opinião. A greve da CPTM é uma crise que incentiva novas táticas eleitorais.

 

fonte: Brasil247

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