30 de julho de 2026
Trabalhadores atuam em canteiro da construção civil

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados do Sinan reunidos pela Anamt mostram concentração entre homens de 20 a 49 anos e impacto sobre saúde e Previdência.

O Brasil registrou 1.843.604 acidentes de trabalho entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. Nos cinco primeiros meses de 2026, foram 222.139 ocorrências.

Homens responderam por 74,7% das notificações, com 1.376.463 casos. Mulheres somaram 466.921 ocorrências, ou 25,3%, e 220 registros não informaram sexo. A concentração mostra exposição desigual entre ocupações, mas não elimina riscos específicos enfrentados por trabalhadoras.

As faixas de 20 a 34 anos e de 35 a 49 anos reuniram, juntas, 1.394.039 acidentes, equivalentes a 75,6% do total. É a população em idade de maior presença no mercado de trabalho, o que reforça o impacto sobre renda familiar, produção, Previdência e demanda pelos serviços de saúde.

Sul e Sudeste concentraram 72,6% das notificações. O Nordeste teve 223.250 casos, atrás do Sudeste, Sul e Centro-Oeste e à frente do Norte. Diferenças regionais podem refletir tanto estrutura econômica quanto capacidade de registrar e notificar acidentes.

O presidente da Anamt, Francisco Cortes Fernandes, afirmou que os dados ajudam a planejar ações contra riscos ocupacionais. A entidade destaca consequências para trabalhadores, familiares e sistemas públicos. Empregadores e poder público têm deveres de prevenção, fiscalização, comunicação e assistência.

Números absolutos não substituem taxas por trabalhador ou setor, necessárias para comparar riscos. No Ceará, dados estaduais e por atividade ajudariam a orientar inspeções, negociação sindical e políticas de saúde do trabalhador, especialmente em construção, indústria, transporte e atividades rurais.

A dimensão nacional da medida exige atenção à forma de implementação e aos públicos realmente alcançados. Anúncios federais só se convertem em resultado quando regras, recursos, prazos e responsabilidades ficam claros e podem ser acompanhados pela sociedade.

Os registros oficiais ainda podem subestimar o problema, especialmente em vínculos informais e casos que não chegam aos sistemas de notificação. Por isso, prevenção depende de fiscalização, atuação sindical, comissões internas, equipamentos adequados e treinamento contínuo. Empresas têm obrigação de reduzir riscos e comunicar ocorrências; trabalhadores precisam de canais seguros para denunciar condições perigosas. A leitura por setor, território, gênero e raça ajuda a direcionar inspeções e políticas públicas para os grupos mais expostos, inclusive no Ceará.

O próximo passo verificável é acompanhar as providências e os prazos informados pelas instituições responsáveis. A cobertura deve distinguir decisões já formalizadas de promessas, hipóteses ou etapas ainda pendentes, preservando o contraditório e corrigindo o quadro caso surjam novos documentos.

Com informações do Opinião CE

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