CPMI do INSS terá relatório paralelo de 800 páginas em embate com a oposição e intensifica disputa política no Congresso

Os governistas da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) planejam apresentar um relatório paralelo, com mais de 800 páginas. A intenção é contrapor o texto do relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que deve pedir o indiciamento de integrantes do Executivo.
Gaspar afirma a aliados que seu parecer terá mais de 5 mil páginas e 200 indiciados. Ao Metrópoles, o deputado afirmou que o relatório não terá paixões políticas, mas se baseará em “técnica e provas”.
O documento oficial deve ser apresentado aos parlamentares da comissão na quarta-feira (25/3) e votado na reunião seguinte, prevista para quinta-feira (26/3), último dia de funcionamento do colegiado.
A expectativa é de que figuras midiáticas também sejam alvos de pedidos de indiciamento, como o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
CPMI se encerra nesta semana
- Governistas articulam relatório paralelo de 800 páginas para contrapor texto de Gaspar;
- Relator prevê parecer com mais de 5 mil páginas e diz que se baseará em “técnica e provas”;
- Documento será apresentado em 25/3 e votado em 26/3, último dia da CPMI;
- Comissão foi marcada por embate político e disputa sobre quebra de sigilo de Lulinha.
Governistas e oposição
A CPMI começou sob forte clima de confronto entre governo e oposição, com disputas sobre a condução dos trabalhos e a narrativa das investigações. Desde a instalação, os dois lados passaram a medir forças não só no plenário, mas também nos bastidores, antecipando um embate político ao longo de todo o funcionamento do colegiado.
Um dos primeiros focos de tensão foi a definição dos cargos-chave da comissão. A oposição articulou maioria para emplacar o senador Carlos Viana (Podemos-MG) na presidência e Gaspar na relatoria, mesmo com outros nomes cogitados e defendidos por aliados do governo.
Parlamentares governistas contestaram a decisão e acusaram o presidente da comissão, Carlos Viana, de irregularidade na apuração dos votos. No ano passado, o colegiado não havia alcançado apoio suficiente para aprovar um pedido de convocação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador rebateu e afirmou que, mesmo nesse cenário, o governo não teria conseguido reverter o resultado, pois o quórum registrado na sessão era de 31 participantes. Já os governistas sustentaram que esse número incluiu titulares e suplentes no painel e, por isso, não refletiu corretamente o total de votantes.
A decisão acabou judicializada. Em 14 de março, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve a quebra de sigilo. No entanto, em 18 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu o ato e cancelou a medida.
Com informações do Metrópoles


