2 de abril de 2025
Planejar é garantir o futuro, afirma Tebet em São Paulo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra Simone Tebet participou nesta segunda-feira (31/03), em São Paulo, de mais uma edição dos “Diálogos para a Construção da Estratégia Brasil 2025-2050” , promovido pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). No encontro, realizado no auditório da Fiesp, ela defendeu o planejamento como eixo estruturante para o desenvolvimento do País nas próximas décadas. “O que faltou há quatro anos, não vai faltar neste governo, não vai faltar no futuro”, afirmou a ministra, ao destacar a necessidade de transformar planos de longo prazo em política de Estado.

A Estratégia Brasil 2025-2050 busca definir metas e indicadores para orientar o crescimento do país até meados do século. A proposta, coordenada pela Secretaria Nacional de Planejamento (Seplan), já passou por Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES) e tem como base a escuta de diferentes setores da sociedade. No encontro desta segunda, Tebet explicou que a iniciativa pretende consolidar um projeto de desenvolvimento que ultrapasse mandatos e seja capaz de enfrentar desigualdades, mudanças climáticas, envelhecimento populacional e desafios econômicos com uma visão de futuro construída de forma coletiva.

Segundo a ministra, o brasileiro tem pressa, e a transformação não pode ser projetada apenas para daqui a 25 anos. A meta de 2050 é o destino, afirmou Tebet, mas o caminho será construído em etapas, com entregas já a partir de 2026. A proposta é que a população perceba desde o início que se trata de um plano real, consistente e pactuado com a sociedade. “Para ninguém achar que essa é uma peça de ficção. Ao contrário, esta é a verdadeira bússola, a carta náutica a nos comandar”, afirmou

A falta de planejamento é um problema que persegue o Brasil. A ministra citou a pandemia de Covid-19 como exemplo emblemático dos efeitos da desarticulação institucional. A falta de coordenação entre áreas do governo e a inexistência de um plano integrado de ação resultaram, segundo ela, em consequências graves para a população. “Faltou vacina no braço do povo brasileiro porque nós não tínhamos um Ministério do Planejamento, nós não tínhamos uma política que acreditava em vacina, mas que planejava também. É disso que se trata.”, disse.

Durante sua apresentação, a ministra apresentou uma visão detalhada sobre o estado atual do país e os caminhos possíveis para o futuro. Segundo ela, para construir um Brasil mais próspero, será necessário dobrar o PIB per capita. Por um país mais justo e inclusivo, as diretrizes que vão nortear o plano de desenvolvimento devem reduzir a desigualdade e erradicar a pobreza. Para ter um Brasil com mais oportunidades, é necessário garantir a equiparação da renda entre homens e mulheres. Tudo isso aliado a um compromisso com a sustentabilidade, com o objetivo de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.

De um lado, ativos como estabilidade macroeconômica, matriz energética limpa e políticas públicas consolidadas garante que este futuro tem alicerces suficientes para acontecer. Do outro, entraves como desigualdade de renda, desindustrialização e pressão sobre o sistema previdenciário freiam nosso desenvolvimento. O Estratégia Brasil 2050, explica Tebet, tenta superar, de maneira suprapartidária, estes desafios, garantindo o uso das nossas potencialidades como ferramentas para esta tarefa.

Segundo Tebet, hoje o ministério sabe dizer “que país somos” pois já foi feita uma análise situacional e retrospectiva sobre como estamos como país, como evoluímos até aqui e quais são as principais janelas de oportunidade e zonas de restrição que podem ou não nos levar a um país mais próspero. No entanto, as perguntas de que país queremos até 2050 e como vamos chegar lá devem ser respondidas pelo povo, pois é o brasileiro, no limite, que sabe dizer quais diretrizes devem ser tomadas.

Mas é preciso correr pois a janela de oportunidade existe, mas é curta. Ao abordar as transformações demográficas em curso, Tebet chamou atenção para o envelhecimento acelerado da população brasileira e os desafios que ele impõe ao Estado. Segundo a ministra, o país enfrenta uma transição etária sem ter alcançado o nível de desenvolvimento econômico necessário para sustentá-la.

“Estamos envelhecendo sem termos enriquecido como país”, afirmou. Ela comparou o cenário brasileiro ao de países europeus, que estruturaram suas políticas sociais após atingir altos níveis de renda. No Brasil, ao contrário, o envelhecimento ocorre em meio a desigualdades persistentes, com impactos diretos sobre a previdência, o sistema de saúde e a economia do cuidado.

Mais segurança jurídica para quem quer empreender
O evento também contou com a participação do presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, que classificou a iniciativa de pensar no futuro do país como sendo uma tarefa “extremamente importante” que oferecerá ao país uma direção clara àqueles que querem investir no Brasil. “Este projeto do Brasil 2050, ele dará um norte, dará uma segurança jurídica a todos nós empreendedores, a todos nós cidadãos brasileiros que poderemos não só entender como participar, porque é uma espécie de um planejamento participativo”, disse.

Com o plano, disse o presidente da Fiesp, o Brasil tem potencial para figurar entre as cinco maiores economias do mundo nos próximos 25 anos. “Não tenho dúvida que em 2050 o Brasil poderá estar entre as cinco maiores economias do mundo. Mas mais importante do que um PIB que nos coloque nessa posição, será um país muito mais próspero, um país com menor desigualdade, um país em que as nossas crianças estejam totalmente participando da vida nacional em função de terem recebido o melhor ensino possível.”, afirmou.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, também esteve na solenidade realizada na sede da Fiesp. Segundo ele, enfrenta o desafio de projetar o futuro em um país onde muitas vezes é difícil entender até mesmo o passado. Para França, planejar é essencial, ainda que envolva incertezas. “Vamos aproveitar aquilo que a gente já tem mais vocação, aquilo que a gente já acumulou mais informação, aquilo que a gente tem mais chance de dar certo”, disse o ministro.

Até junho, os diálogos continuarão a ser realizados em diferentes capitais, reunindo representantes de todas as regiões do Brasil. A proposta é garantir que a construção da Estratégia reflita a diversidade do território nacional, incorporando as particularidades regionais, seus desafios e vocações. Os próximos eventos acontecerão em João Pessoa (PB) e Olinda (PE).

Fonte: Agência Gov

Deixe uma resposta